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Coordenadoras: Arseli Dokumaci e Kim Sawchuk

Descrição:

A performance e a incapacidade têm mantido um íntimo diálogo desde a sua concomitante emergência na segunda metade do século vinte. Abordando temas comuns aos estudos da performance e aos estudos da incapacidade, como a incorporação, a subjetividade e a política do movimento, este grupo de trabalho enfoca a interface entre a performance e a incapacidade. Ele convida artistas, acadêmicos, teóricos e ativistas a explorar, através de meios táteis e sinestésicos, como os dois paradigmas podem desafiar e contribuir produtivamente um com o outro.

Capacitando a performance

De que maneiras podem as perspectivas críticas sobre a incapacidade, a doença e a saúde melhorar os atuais entendimentos sobre a performance e a performatividade? Como é que os corpos deficientes desafiam convenções de representação na arte e na vida cotidiana? Como pode a incapacidade redefinir as condições da atuação, da visão, da audição e do envolvimento na performance? Que novas perspectivas pode a pesquisa crítica sobre a incapacidade, incluindo a “crip theory”, trazer para as discussões sobre as tensões entre a experiência vivida, as “realidades” físicas do corpo, as interpretações sociais da incapacidade e as formas sistêmicas de discriminação?

Fazendo performance da incapacidade

Numa era de doenças crônicas e de populações envelhecidas, em que o acrônimo CTC (Corpo Temporariamente Capaz) vem substituindo o termo corpo capaz (ver Davis 2002: 36), qual é o legado do termo incapacidade e como pode a performance ajudar a situar esse legado? Como poderiam a performance e os estudos da performance energizar e animar debates desgastados, como a questão da diferença entre deficiência e incapacidade? Como poderia a performance – como um modo de questionamento – ser usado para representar a dor e transmitir experiências extremamente incorporadas de incapacidade? De que maneiras a incapacidade coincide com e diverge dos paradigmas frequentemente utilizados nos estudos da performance, como o gênero, o sexo, o queer, a etnia e o pós-colonialismo?

Formato:

Este grupo de trabalho aceita trabalhos escritos, performances, obras experimentais, vídeos, etc. As apresentações e discussões desta sessão serão realizadas em forma de diálogo e não no formato tradicional de uma conferência. A sessão final deste grupo de trabalho será uma prática de grupo de reflexão (think-tank), em que os participantes irão, de forma colaborativa: a. discutir as questões surgidas nas sessões anteriores; b. itemizar a atual interface entre a performance e a incapacidade e pensar formas de diversificar esta interface; e c. refletir sobre a formação do grupo de trabalho em si e sobre as questões práticas envolvidas e contemplar formatos alternativos de conferência.

Referências:
Davis, Lennard (2002) Bending over Backwards: Disability, Dismodernism, and Other Difficult Positions, Nova Iorque: NYU Press.

Requisitos para a candidatura:

Deve ser apresentada uma proposta de 500 palavras, explicando a apresentação. Os materiais devem ser enviados através do formulário de inscrição online antes do dia 25 de setembro de 2013.

Número ideal de participantes: De 10 a 12 participantes.

Biografias das coordenadoras:

Arseli Dokumaci concluiu o seu Ph.D. em Estudos da Performance pela Aberystwyth University e atualmente é pesquisadora, a nível de pós-doutorado, no Laboratório de Mídia Móvel da Concordia University.  A sua pesquisa explora as performances cotidianas e a incapacidade através do documentário etnográfico e já figurou em Disability in Judaism, Christianity and Islam (2011) e em Performance Research Journal (agosto de 2013). Arseli atualmente preside o Comitê de Acadêmicos Emergentes na Performance Studies international.  performingdisability.co.uk

Kim Sawchuk é Professora do Departamento de Estudos da Comunicação e Pesquisadora Catedrática em Estudos da Mídia Móvel da Concordia University. Ela já foi editora do Canadian Journal of Communication e foi co-fundadora do estúdio de mídia feminista studio XX. Atualmente, ela é co-editora do Wi: Journal of Mobile Media. A sua pesquisa em estudos da mídia móvel enfoca a mídia de localização geográfica, as tecnologias obsoletas e digitais e as interseções entre os estudos da mobilidade e os estudos da incapacidade crítica.