Conferências

enc05_oliveira_jp_LgPhoto/ Foto: Julio Pantoja

 

Palestrante: Ana Gita de Oliveira

Moderador: Octávio Elísio (Presidente do IEPHA/MG)

Biografia: Ana Gita de Oliveira tem um doutorado em Antropologia pela Universidade de Brasília. Coordenadora do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial da Secretaria do Patrimônio, Museus e Artes Plásticas do Ministério da Cultura, Ana é especializada na pesquisa relativa a temas sobre o patrimônio imaterial, fronteiras nacionais e etiologia indígena. Sua obra acadêmica inclui a sua dissertação O mundo transformado: Um estudo da cultura de fronteira no Alto Rio Negro.

Neste discurso, entitulado Salvaguarda do Patrimônio Cultural, proferido como parte do 5º Encuentro do Instituto Hemisférico (Belo Horizonte, Brasil, 2005 http://hemi.nyu.edu/eng/seminar/brazil2005), Gita discute o atual clima político e cultural no Brasil com relação à identificação, inventário, documentação e registro do patrimônio cultural imaterial. Enfocando a legislação constitucional do Decreto 3.551/2000 e o desenvolvimento do Inventário Nacional de Referências Culturais, a antropologista discute as metodologias dialéticas em jogo no estudo dos contextos local, regional e nacional dos conhecimentos, práticas e tecnologias brasileiras, bem como no desenvolvimento de políticas integradas referentes à preservação do patrimônio cultural imaterial.

 

Ana Gita de Oliveira—Salvaguarda do Patrimônio Cultural

enc05_mockus_jp_LgPhoto/ Foto: Julio Pantoja


Conferencista: Antanas Mockus

Biografia

Matemático colombiano, filósofo e político, Mockus deixou seu cargo como reitor da Universidade Nacional Colombiana, em Bogotá, em 1993, e nesse mesmo ano dirigiu com sucesso uma campanha para prefeito. Ele continuou a presidir Bogotá como prefeito por dois mandatos, nos quais realizou muitas surpresas e, freqüentemente, bem-humoradas iniciativas para os habitantes da cidade. Tais iniciativas tenderam a envolver grandes eventos, incluindo freqüentemente artistas locais ou, até mesmo, ele próprio – como, por exemplo, um comercial no qual tomava banho a fim de defender a conservação da água; ou caminhando nas ruas vestido de Super-homem. Mockus contratou 20 mímicos para controlar o tráfego e fazer brincadeiras com os violadores das regras de trânsito – um programa tão bom que outros 400 mímicos foram rapidamente treinados. Ele também iniciou uma "Noite para as mulheres", na qual pedia-se aos homens da cidade que ficassem em casa por uma noite cuidando da casa e das crianças. A cidade apoiou concertos gratuitos em áreas abertas; bares faziam promoções só para mulheres, e as policiais femininas da cidade eram encarregadas de manter a paz. Sob sua liderança, Bogotá viu inúmeras melhorias – o uso de água não potável caiu 40%, 7000 grupos de segurança comunitária foram formados e a taxa de homicídios caiu 70%, os acidentes fatais no trânsito caíram mais de 50%, água potável chegou a todas as casas (de 79% em 1993), e o saneamento básico foi fornecido para cerca de 95% das casas (de 71%).

Antanas Mockus: Bogotá: Um caso de Agência Cultural

Conferencista: Mary Schmidt Campbell

Biografia

Pesquisadora, autora e integrante da comissão para assuntos culturais de Nova Iorque, é diretora da Tisch School of The Arts na Universidade de Nova Iorque. Como chefe dessa escola de arte, Campbell supervisiona todas as fases dos dez programas de treinamento, bem como os programas para universitários. Dr. Campbell começou sua carreira em Nova Iorque como diretora executiva do Studio Museum no Harlem, unanimemente reconhecido como o principal centro para o estudo da arte Africana e Afro-americana. Campbell, que produziu vários catálogos sobre artistas Afro-americanos, e freqüentemente foi a responsável por grandes exposições, estabeleceu firmemente o museu como uma grande instituição cultural nova-iorquina. Em 1999, Crain’s New York a selecionou como uma das 100 mulheres nova-iorquinas mais influentes nos negócios, e em 2001 ela foi aceita na Academia Americana de Artes e Ciências. Campbell co-escreveu os livros Harlem Renaissance: Art of Black America (New York: Harry N. Abrams, Inc. 1987) e Memory and Metaphor: The Art of Romare Bearden, 1940-1987 (New York: Oxford University Press & The Studio Museum in Harlem, 1991). Uma notável conhecedora do artista Romare Bearden, Dr. Campbell também realiza palestras e publica bastante sobre uma variedade de assuntos que inclui política cultural e história da cultura americana.

Mary Schmidt Campbell, "O Papel das Artes nos Tempos de Crise"

enc05_megaron_jp_LgPhoto/ Foto: Julio Pantoja


Conferencista: Megaron Txucaramãe
Apresentadores: Ailton Krenak & Prof. Terence Turner

Biografia

Megaron Txucaramãe é uma das mais importantes lideranças indígenas do Brasil, com destacada atuação em prol de seu povo, os Mekragnotire, e de outros povos indígenas brasileiros. Pela Funai, atuou nas frentes de contato dos povos Ikpeng e Panará. Em 1984 participou da demarcação da Terra Indígena Kapôt-Jarina e entre 1992 e 1993 foi a vez da demarcação da Terra Indígena M_kragnotire. Foi o administrador da FUNAI do Parque Indígena do Xingu no período de 1984 a 1994 e desde 1995 é administrador da Funai-Colíder/MT. Também é membro fundador da Associação Ipren-re de Defesa do Povo Mebêngôkre desde 1993.


Ailton Krenak
é uma liderança indígena reconhecida dentro e fora do Brasil. Fundador do Núcleo de Cultura Indígena, participou intensamente de todo o processo de elaboração do Texto Constitucional de 1988. Criou e dirigiu o Centro de Pesquisa Indígena e o Núcleo de Direitos Indígenas. Esteve à frente da Embaixada dos Povos da Floresta, centro cultural em São Paulo que reuniu povos indígenas e extrativistas da Amazônia, divulgando a cultura e o conhecimento dos povos tradicionais do Brasil. Recebeu, por sua luta em defesa dos povos indígenas, os prêmios "Direitos Humanos Lettelier-Moffit" e "Homem e Sociedade", da Fundação Onassis. Hoje atua como Assessor para Assuntos Indígenas do Governo do Estado de Minas Gerais.

Terence Turner, Professor de Antropologia da Cornell University, trabalha com os Kayapó do Brasil central desde 1962. Seus vários escritos sobre eles cobrem assuntos como organização social, mito, ritual, história, política, contato inter-étnico e aspectos da troca cultural, social, político e ideológico. Também já publicou vários ensaios sobre temas teóricos gerais, incluíndo a aplicação de aspectos da teoria marxista à antropologia, a base teórica das aproximações antropológicas aos direitos humanos, multiculturalismo e ativismo em apoio às causas indígenas, críticas às políticas, projetos do Banco Mundial e sobre o desenvolvimento recente dos movimentos indígenas em luta pela autonomia cultural e social. Realizou uma série de filmes etnográficos sobre os Kayapó com a British Broadcasting Company e a Granada Television. Em 1990, fundou o Kayapó Video Project, no qual os Kayapó filmaram e editaram vídeos sobre sua própria cultura e sua relação com os brasileiros.

Megaron Txucaramãe: A Questão Indígena no Brasil