Agentes Culturais: Vídeo e Internet

Participantes: Peter Kulchyski (Canadá), João Kulcsar (Brasil), Miriam Pederneiras (Corpo Cidadão, Brasil)

Moderadora: Doris Sommer (USA)

Biografias

Tasha Hubbard é escritora, professora e filma documentários. Seu trabalho está focado em questões sociais envolvendo os povos indígenas em Saskatchewan, incluindo os efeitos multi-geracionais de escolas-residências, tráfico sexual, estereótipos resistentes e a procura por um campo comum entre povos indígenas e povos não indígenas. Os filmes co-dirigidos com Doug Cuthand, da Blue Hill Productions, incluem os premiados Circle of Voices, Childhood Lost, e Donna’s Story. Projetos-solo incluem o documentário modelo sobre o papel da juventude chamado Strength of Spirit, para distribuição escolar, e um vídeo sobre a crise iminente de desabrigados para o Instituto Saskatchewan de Tecnologia Indígena. Seu último projeto de direção é produzido pela National Film Board of Canada, trabalho intitulado Two Worlds Colliding. Trabalhou com a realização do televisionado National Aboriginal Achievement Awards, e a transmissão ao vivo da estréia da The Aboriginal Peoples Television Network. Ainda participou da realização de muitas outras premiações e shows de artes performáticas. Muito recentemente, atuou como co-diretora de palco do sucesso “Gathering Our Artists” Gala Extravaganza, apresentando muitos dos principais performers culturais indígenas de todo o Canadá, incluindo Gordon Tootoosis, Tantoo Cardinal, Michael Greyeyes, Lorne Cardinal, Thomson Highway, George Leach, Jennifer Podemski e Andrea Menard.

Alexandra Halkin: Diretora do Chiapas Media Project (EUA), é uma produtora independente de documentários e fundadora do Projeto Chiapas Media. Durante séculos, os indígenas e suas culturas foram representados por pessoas de fora de sua comunidade local. Recentemente, esforços têm sido realizados para se conseguir que novas tecnologias de comunicação cheguem às mãos dos indígenas. Dessa forma eles podem se auto-representar, com suas próprias palavras e imagens. Isso é o que o Projeto Chiapas Media (PCM) está tentando fazer no sul do México. Em fevereiro de 1998, o projeto começou a obter resultados em diálogos com comunidades autônomas Zapatistas, as quais demandavam acesso a vídeo e tecnologia de computador. Os Zapatistas ou o Exército Zapatista para a Liberação Nacional são um movimento indígena constituído por índios Tzotzil, Chol, Tojolabal, Mum e Tzeltal Mayas. Eles se tornaram conhecidos no mundo via internet em primeiro de janeiro de 1994, quando organizaram uma rebelião armada e tomaram seis cidades em Chiapas, demandando que os direitos indígenas fossem reconhecidos na constituição mexicana. Outra demanda foi a constituição de TV e rádio controlados pelos indígenas por todo o México. Desde 1998, o PCM vem trabalhando como um parceiro bi-nacional para providenciar equipamentos de vídeo e computador e treinamento para comunidades indígenas em Chiapas e Guerrero, México. A ênfase tem sido na área de produção de vídeo. O Projeto Chiapas Media está atualmente distribuindo 16 produções indígenas pelo mundo.

Sebastián Gerlic: Licenciado em História das Artes, Cinematografia, Fotografia e Jornalismo em Buenos Aires, Argentina. Depois, estudou vídeo em Boston e New York. Desde 1989 trabalha como realizador audiovisual. Em 1999 dirige: “ÍNDIOS, UMA HISTÓRIA PRESENTE” (Liceu de Artes e Ofícios e Fundação Cultural do Governo do Estado da Bahia). Em 2000: “AOS MEUS IRMÃOS” e “KIRIRI, UM EXEMPLO NA TERRA” (Fundação Cultural da Bahia). Em 2004, ganha o 1º Lugar, Categoria Nacional do Prêmio DOCTV (Ministério da Cultura, Fundação Padre Anchieta/ TV Cultura) por “IRMÃOS NO MUNDO”, documentário de média metragem com duração de 55 minutos. Em 2001, 2002, 2003 e 2004 coordena o projeto “ÍNDIOS NA VISÃO DOS ÍNDIOS”, que já lançou 7 livros, e em 2004 o programa piloto: “ÍNDIOS ON-LINE”, que foi escolhido pelo Minc como sete Pontos de Cultura Viva.

Rubens Jesus Santos (Kroatyn Kiriri), vice-pajé da Nação Kiriri, na Bahia, participou em 2002 das Oficinas de Expressão criativa do projeto ÍNDIOS NA VISÃO DOS ÍNDIOS, tirando muitas fotografias, escrevendo textos, realizando reportagens... utilizando a tecnologia do não índio para divulgar sua cultura. Em 2003 participou do lançamento do livro KIRIRI e visitou mais de 10.000 alunos de escolas para partilhar sua cultura. Em 2004 ele foi selecionado por Marcelo Kiriri, que fez uma qualificação em TICS para a participação no projeto ÍNDIOS ON-LINE, do qual o mesmo KROATYM virou um grande colaborador, publicando suas matérias na internet e utilizando a informática para buscar os direitos de sua nação. KROATYM é vice pajé dos Kiriri. “O TORÉ significa, para nós, uma reza. Cada canto é uma oração que traz a saúde da gente. Nós temos todo sábado nossa dança de ritual, onde todos os índios Kiriri estão presentes, de grande a pequeno, o pajé, o cacique, os conselheiros, estamos todos lá, pedindo a Deus que nunca acabe nosso TORÉ, nossa força."

Divino Tserewahú: 29 anos, Xavante da aldeia de Sangradouro (Mato Grosso), seguiu o trabalho iniciado pelo irmão: durante anos, Divino registrou cerimoniais e eventos para o público da aldeia. Em 1995 ele participou da equipe do “Programa de Índio” e no seu primeiro trabalho para o público não Xavante – “Obrigado Irmão”, Divino narra a sua iniciação de videasta. Líder do coletivo de autores de “Wapté Mnhono, A iniciação do jovem Xavante”, premiado em vários festivais, Divino realizou mais dois documentários sobre rituais de iniciação Xavante, “Waiá Rini, o poder do Sonho” (2001) e “Aprendiz de curador” (2003). Em 2002, Divino fez uma reportagem sobre os índios Makuxi que resultou no vídeo “Vamos à luta”. "Filmar é a minha profissão, é para isso que eu nasci... não foi para trabalhar de machado, eu não nasci para plantar. É isso que eu sempre digo para a minha mulher". Filmografia: Vamos à luta, DARITIDZÉ, Aprendiz de curador, WAPTÉ MNHÕNÕ, A iniciação do jovem Xavante Programa de Índio 1, 2, 3, 4, HEPARI IDUB´RADÁ, Obrigado irmão WAI´Á RINI, A Luta Continua!

Ruben Caixeta é etnólogo. Realiza pesquisa junto ao povo Waiwai das Guianas desde 1990. Defendeu sua tese de doutorado em 1998 na Universidade de Paris X. É professor adjunto de antropologia da Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente, participa de um trabalho coletivo de resgate e registro em vídeo de um ritual do povo Yecuana do Brasil e da Venezuela. Co-dirige o FORUMDOC.BH – Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte.