Conferências

Acadêmicos e artistas são convidados pelo Encontro para apresentar palestras na intenção de circunscrever conceitualmente nossas discussões, situar o tema principal a partir de contextos específicos e alargar os debates no campo de estudos. Tradução simultânea é disponibilizada ao público de modo que as discussões sejam acessíveis em inglês, português e espanhol. Estas palestras também já apareceram em edições especiais de nossa publicação eletrônica e-misférica.
jp_keynote_meitin_enc09_0001

Photo/foto: Julio Pantoja

Iniciativas artísticas em organização comunitária e suas dimensões metafóricas e sócio-jurídicas

Esta palestra explora estratégias transdisciplinares de urbanismo crítico que integram modos artísticos de pensamento e ação no sentido de criar contextos para a resistência e transformação da realidade.

Biografia

Alejandro Meitin é artista, advogado, ativista ambiental e co-fundador do grupo coletivo artístico Ala Plática (1991) com sede na cidade de La Plata, Argentina. Integra desde o ano de 1994, a rede de Arte Litoral, uma rede independente de artistas, críticos, curadores e acadêmicos interessados em colaborar com novos pensamentos sobre a prática artística contemporânea e a teoria crítica. Participou em pesquisa, elaboração e execução de práticas artísticas colaborativas, e realizou exposições, residências, publicações, cursos ministrados e conferências na América Latina, América do Norte e Europa.

Alejandro Meitin: Iniciativas artísticas em organização comunitária e suas dimensões metafóricas e sócio-jurídicas

pk_keynote_ahuyssen_enc09_0004

Photo/Foto: Paula Kupfer

Direitos Naturais, Direitos Civis e a Política da Memória

Os direitos naturais e os discursos da memória devem estar robustamente ligadas umas as outras para acrescentar uma dimensão necessária de futuro à memória e da História à política dos direitos humanos. Ao retirar a noção original e moderna dos direitos naturais, este trabalho questiona até que ponto 'os direitos da natureza' precisam ser considerados ao cultivar a sustenabilidade dos direitos humanos como direitos sociais.

Biografia

Andreas Huyssen é Professor Villard de alemão e literatura comparada na Columbia University. É fundador diretor do Instituto de Literatura Comparada e Sociedade da Columbia (1998-2003) e um dos editores-fundadores do New German Critique (desde 1974), um jornal acadêmico importante de estudos germânicos nos Estados Unidos. Em seus trabalhos publicados se encontram After the Great Divide: Modernism, Mass Culture, Postmodernism (1986), Postmoderne - Zeichen eines kulturellen Wandels, co-editado com Klaus Scherpe (1986), Twilight Memories: Making Time in a Culture of Amnesia (1995) e Present Pasts: Urban Palimpsests and the Politics of Memory (2003). Mais recentemente, foi o editor de Other Cities, Other Worlds: Urban Imaginaries in a Globalized Age (2008). Seu trabalho já foi traduzido para muitas línguas em todo o mundo.

Andreas Huyssen: Direitos Naturais, Direitos Civis e a Política da Memória

mrc_keynote_barbero_enc09_0004

Photo/Foto: Marlène Ramírez-Cancio

Artes da memória e regimes de visibilidade

Se há uma questão fundamental que a Colômbia ainda tem pendente—e que ressoa tanto no pensamento quanto na ação—é a relação muito especial entre política e violência na trama de suas memórias e de sua história. Denso materializador da violência que emerge na história do que Paul Ricoeur denominou as estruturas do terrível, estas "forças" do instinto e da exploração estão inscritas na política desde sua fundação. A trilha da memória é, no entanto, a que desfataliza o passado, recuperando seu inacabamento (Walter Benjamin). O passado não está formado só por acontecimentos, mas também por tensões que desestabilizam o presente e engendram o futuro. Na Colômbia, é também cada dia mais densa a imaginação/criatividade social, que se destaca nos modos de sobrevivência, física e cultural, de milhões de cidadãos, como na nova arte plástica de suas mulheres ou nas narrativas literárias e audiovisuais de seus jovens, que nos possibilita ver a envergadura política de suas artes.

Biografia

Jesús Martín Barbero é semiólogo, antropólogo, filósofo e especialista em comunicações e mídia. Já produziu importantes sínteses teóricas na América Latina sobre a pós-modernidade. Sua análise da cultura como mediações, o estudo da globalização a partir da semiologia, a função alienante das mídias locais e particularmente a função das telenovelas na América Latina são algumas de suas contribuições. Foi presidente da ALAIC (Associação Latino-americana de Pesquisadores da Comunicação) e membro do Comitê consultivo da FELAFACS (Federação Latino-americana das Faculdades de Comunicação Social). É membro do Comitê científico de Infoamérica.

Jesús Martín Barbero: Artes da memória e regimes de visibilidade

pk_keynote_pratt_enc09_0005

Photo/Foto: Paula Kupfer

Ecologia da língua, Política da língua: em direção à uma imaginação geolinguística

Como se parecerá o mundo linguisticamente de hoje a cem anos? O uso e a distribuição das línguas através do planeta está mudando tão rapidamente que até mesmo os especialistas não conseguem responder à esta questão. Esta conferência discutirá alguns dos processos de mudança que estão a caminho, incluindo a morte da língua, a migração da língua, a formação da língua franca e inter-línguas. Questionará o que a ideia de direitos pode e não pode fazer neste contexto e em que consiste uma abordagem ecológica à língua.

Biografia

Mary Louis Pratt é Professora Silver no Departamento de Análise Social e Cultural e do Departamento de Espanhol e Português da New York University, onde leciona literatura latino-americana e teoria cultural. Possui diplomas em literatura comparada e linguística pelas University of Toronto, University of Illinois e Stanford University. Já publicou extensivamente sobre assuntos relacionados à literatura feito por escritoras latino-americanas, literatura de viagem e imperialismo; língua e militarização e modernidade e neo-liberalismo. Faz parte do Instituto Hemisférico desde o ano de 2002.

Mary Louise Pratt: Ecologia da língua, Política da língua: em direção à uma imaginação geolinguística

jp_keynote_richard_enc09_0001

Photo/foto: Julio Pantoja

Os direitos do feminismo a ser outro para si mesmo

Sem renunciar a força político-social de suas lutas contra a discriminação do gênero, a teoria feminista se define hoje também como crítica cultural. Isso é o que permite que o potencial emancipatório do feminismo consiga abarcar as figurações imaginárias e simbólicas das economias subjetivas que desbordam as categorias de "identidade" e "diferença" pré-organizadas pela sociologia do gênero. As novas orientações crítico-culturais do feminismo permitem conjugar as políticas e as poéticas do Eu, ao misturar diferentes registros de vozes que cruzam a militância cidadã com o ensaio teórico-intelectual, o ativismo universitário com as paixões estéticas, sem ter medo que as problemáticas do gênero falem em várias línguas ao mesmo tempo.

Biografia

Nelly Richard é crítica e ensaista, autora de numerosos livros. Estudou letras modernas na Universidad de la Sorbonne (Paris IV) e foi fundadora e diretora da Revista de Crítica Cultural entre os anos de 1990 e 2008. Atualmente, dirige o programa de mestrado em estudos culturais na Universidad ARCIS em Santiago, Chile, e exerce o cargo de vice-reitora de Extensão, Comunicações e Publicações dessa universidade.

Nelly Richard: Os direitos do feminismo a ser outro para si mesmo

fp_keynote_cusicanqui_enc09_0004

Photo/Foto: Frances Pollitt

Sociologia da Imagem. Uma visão a partir da História Andina

A conferência aborda uma leitura da iconografia de Guamán Poma de Ayala (século XVII) e Melchor María Mercado (século XIX) como expoentes de uma teorização da realidade andina nos tempos coloniais e republicanos, a partir de imagens. Estas imagens formulam um texto oculto que revela aspectos não tratados em seus próprios escritos. A partir desta reflexão, se argumentará a necessidade de se considerar as formas não alfabéticas do discurso andino como um caminho até a compreensão da experiência colonial e pós-colonial nos Andes.

Biografia

Silvia Rivera Cusicanqui é socióloga e ativista boliviana de ascendência aymara, vinculada ao movimento indígena katarista e ao movimento dos cultivadores de coca. Juntamente com outros intelectuais indígenas e mestiços, fundou, em 1983, a Oficina de História Oral Andina, grupo auto-gestionário que trabalha temas de oralidade, identidade e movimentos sociais indígenas e populares, principalmente na região aymara. É autora de vários livros e já realizou vídeos e filmes, tanto documentários como de ficção. Há mais de duas décadas, é professora titular de sociologia da Universidad Mayor de San Andrés de La Paz. Foi professora visitante nas Columbia University (NY), University of Texas at Austin, La Rábida (Huelva), Jujuy e a Universidad Andina Simón Bolívar de Quito. Em 1990, recebeu uma bolsa Guggenheim e, em 1993, foi nomeada Professora Emérita da UMSA.

Silvia Rivera Cusicanqui: Sociologia da Imagem. Uma visão a partir da História Andina

pk_keynote_srolnik_enco09_0003

Photo/Foto: Paula Kupfer

Furor de arquivo

Uma verdadeira compulsão de arquivar tomou conta de parte significativa do território globalizado da arte nas duas últimas décadas—de investigações acadêmicas a exposições baseadas em arquivos, passando por acirradas disputas entre coleções pela aquisição dos mesmos. Alguns de seus objetos de análise privilegiados incluem as propostas artísticas latinoamericana dos anos 1960-1970, quando o político se imbricou nas entranhas da própria poética. O que causa a emergência deste desejo no atual contexto? Que políticas de desejo movem as diferentes iniciativas de inventário e seus modos de apresentação?

Biografia

Suely Rolnik é formada em sociologia e filosofia pela Université Paris VIII e em Psicologia pela Université Paris VII. Docente titular da Pontíficia Universidade Católica de São Paulo e Docente convidada do Programa de Estudos Independentes (PEI) do Museu d'Art Contemporani de Barcelona (MacBA) e Master Oficial em História da Arte Contemporânea e Cultura Visual, Universidad Autónoma de Madri e Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (MNCARS). Seu trabalho se localiza num território transversalizado pelo filosófico, o clínico, o político e o estético e se manifesta na pesquisa, no ato de escrever, na docência, na curadoria e na clínica strictu senso. É autora, entre outros livros, de Micropolítica: Catografías del Deseo, com a colaboração de Félix Guattari. Participa como investigadora da Red Conceptualismos del Sur.

Suely Rolnik: Furor de arquivo

mrc_keynote_castilla_enc09_0003

Photo/Foto: Marlène Ramírez-Cancio

A cidadania desde o feminismo anarquista

Conversa que abordará a temática da cidadania desde o feminismo anarquista como uma construção antiga, eficaz, subversiva e lúdica.

Biografia

Ximena Castilla é advogada penal da Universidad Externado de Colombia. Castilla é defensora dos direitos da mulher e se dedica aos casos de direitos humanos, especialmente aqueles que têm que ver com os direitos sexuais e reprodutivos.

Ximena Castilla: A cidadania desde o feminismo anarquista