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Justiça Social e Raça através das Américas no Século 21

Convocante: Yolanda Flores

Em 4 de novembro de 2008, o Senador Barack Obama entrou para História ao transformar-se no primeiro Afro-Americano a se eleger presidente dos Estados Unidos da América. A primeira eleição de um homem de cor foi uma vitória tremenda não só para os EUA, mas para toda a América e mesmo a sociedade global. Os EUA tem um passado racial duvidoso, incluindo escravidão e segregação (como em muitos outros países no continente americano). Não é surpresa que a identidade racial de Obama tenha gerado tanta pauta para jornalistas e comentadores políticos cobrindo a campanha eleitoral norte-americana.

A questão que os analistas políticos estão lutando para responder é: o quanto raça e política racial condicionou a vitória de Obama? Sem dúvida, houve recorde de pessoas de cor e estudantes universitários de todas as raças votando em Obama. Mas essa vitória muda de fato o modo como as minorias raciais serão percebidas e tratadas nas Américas? A despeito desta vitória, estereótipos raciais negativos ainda são observados em locais de trabalho, em vários tipos de performance e em outras facetas da vida. Quando conceitos e medidas de justiça social e raça são aplicados a políticas de performance, políticas de trabalho, políticas nacionais, políticas de gênero e/ou políticas de orientação sexual, é interessante notar como muitos indivíduos na cultura dominante, embora tidos como justos, ainda argumentam: "Injustiça!" De fato, este é um sentimento que ecoa por todo o continente.

A intenção deste grupo de trabalho será discutir, através de discurso crítico, como justiça social, raça e outras identidades são negociados na vida de pessoas de cor vivendo nas Américas. Por exemplo, Obama teria ganhado a eleição fosse ele Afro-Americano e gay ou transsexual? Existem três objetivos neste grupo de trabalho:
1). Desenvolver um discurso crítico sobre o significado de justiça social e raça.
2). Desenvolver uma compreensão crítica de raça em sua relação com outras identidades.
3). Desenvolver uma base para continuarmos os diálogos sobre justiça social e raça.

O grupo de estudos convida entre 15 e 20 pesquisadores, artistas e ativistas a escrever um artigo acadêmico (10-15 páginas em espaço simples) tocando na importância e significado de justiça social e raça. Identidade é fluida e multidimensional, portanto indivíduos podem intercruzar justiça social e raça com outras identidades. Exemplos podem incluir o significado e interseção de justiça social e raça com orientação sexual; justiça social e raça com classe social; ou justiça social e raça com gênero. Cada artigo deve demonstrar um entendimento de justiça social e raça como fundamento antes de apresentar um terceiro cruzamento. Um artigo rigorosamente integrando apenas justiça social e raça também é aceitável. Justiça social é definida como a marginalização de quatro grupos específicos: raça, gênero, orientação sexual e classe social (Johnson, 2009). O grupo de trabalho terá dois resultados tangíveis:

1). Participantes terão oportunidade de escrever um artigo em grupo para publicação.
2). Esperamos que os participantes escrevam um programa de aulas ou projeto de curso que poderá ser usado em sua universidade ou comunidade de origem.

Biografia

Yolanda Flores é Professora Associada na Universidade de Vermont, onde ensina literatura e cultura comparadas das Américas (U.S. Latino, Hispanoamericana e Brasileira). O princípio que guia seu trabalho interdisciplinar e sua pedagogia é o desafio das construções hegemônicas de gênero, raça, classe e sexualidade, que se manifiestam na literatura e na cultura deste continente. É autora de O Drama de Gênero: Teatro feminista de mulheres das Américas (2000, 2005) e de vários artigos acadêmicos. Professora Flores trabalha atualmente em seu segundo projeto de livro, Brown-eyed Daugther of the Sun: A Memoir.

 

Participantes
  • Ana Palacios
  • Dora Inés Munevar
  • Luz Zaret Mena Ortiz
  • MaryAnn Talavera
  • Sheila Graham
  • Vera Regina Rodrigues da Silva
  • Yolana Flores