Saudações

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Photo/Foto: Alexandre Nunis

Nota da Diretora

 Bem-vindo(a) ao 9o Encuentro internacional do Instituto Hemisférico e muito obrigada a todos que tornaram este evento possível.

Os últimos anos têm sido uma era de intenso ativismo social, movido pelo afeto. Basta pensarmos nos diversos movimentos recentes, fomentados pela indignação perante as injustiças políticas, sociais e econômicas, como o Arab Spring, os Indignados da Espanha, o Occupy Wall Street, os movimentos estudantis no Chile, no México e em Montreal e os 'Dreamers' (Sonhadores), que estão encabeçando a reforma imigratória nos E.U.A.  BASTA YA! / CHEGA! proclamam os Zapatistas—uma posição compartilhada pelo Idle No More, pelos Mapuche e por outros grupos indígenas por todo o hemisfério. Estes notáveis exemplos demonstram como os efeitos podem transcender sentimentos individuais para gerar condições transnacionais (e talvez coligações tácitas) de resistência ou mesmo de revolta. Palavras como contágio sugerem os modos pelos quais as pessoas podem, repentina e imprevisivelmente, tornar-se não somente uma única mente, mas também um único corpo.

As condições transnacionais impostas pelo capitalismo, nas suas variedades mais virulentas, podem ser um denominador comum, responsável pelo extensivo sentimento de usurpação. O político tornou-se sinônimo de econômico. Se o que distingue o neoliberalismo é a aplicação de uma lógica econômica à sociedade como um todo, então não deveria surpreender que a resistência a isso faça parte dessa indistinção. A usurpação, como esses MANIFESTOS deixam claro, não é uma condição ou estado do ser, mas um fazer e uma relação de poder. Isso tem sido estruturalmente imposto e economicamente organizado. Os interesses de muito poucos sobrepõem as necessidades de muitos. Os '99%' apresentam uma pequena mostra de coligações tácitas. Como pode a resistência combater essa usurpação ativa?

Este Encuentro nos convida a explorar essa encenação afetiva do político—manifestações que vêm ocorrendo tanto dentro quanto fora dos partidos e sistemas políticos. O que têm em comum? Que histórias e condições geram as diferenças? Será que o afetivo é efetivo? Será que precisamos aguardar uma mudança de governo para então forjar relações mais equitativas? Será que sonhos utópicos de um futuro melhor podem estar atrelados a uma política mais expansiva aqui e agora? O que precisamos aprender para vislumbrar a magnitude de possibilidades? O que precisamos desaprender para lidar com elas?

Estes oito dias nos oferecem uma oportunidade de trabalharmos juntos, atravessando as nossas divisas linguísticas, disciplinares e geográficas para imaginarmos outras formas de se construir um mundo. Os sistemas produzem a usurpação e outros sistemas e redes podem ser mobilizados para compensar alguns dos efeitos e afetos debilitantes. Espero que este evento ajude a expandir as comunidades de prática invocadas pelo MANIFESTA! Obrigada por fazer parte disto! Diana Taylor

Diana Taylor


Nota do Organizador

Algazarra, música rude, panelaço; microfone humano, panelas, buzinaços! Estes são alguns dos termos relacionados às ocupações sonoras de cidades e ruas que, desde 2011, têm circulado de sul a norte e de volta ao sul como parte de movimentos de resistência por todo o globo. Nós esperamos fazer algum barulho durante uma semana festiva de junho em Montreal, quando a Concordia University servirá como centro de um Encuentro que se estenderá até as ruas serenas e arborizadas de Outremont, até o Centro PHI no Porto Velho, até os centros culturais de Plateau, Sala Rossa e Oboro Gallery, terminando com uma performance final e uma festa no palácio do cabaré, o Rialto. Nós caminharemos pelas ruas e ocuparemos praças, animados pela festividade política dos protestos estudantis de 2012. E esperamos que os ecos desses sons reverberem em pensamentos, afetos, estratégias coreográficas e repositórios digitais muito tempo após o último dia de Encuentro em junho.

É para mim um prazer e uma honra receber o Encuentro e a comunidade do Instituto Hemisférico na Concordia University, em Montreal, em Quebeque e no Canadá. Alguns são membros de longa data e veteranos de Encuentros; muitos são novos à extensa e extraordinariamente comprometida, articulada e glamorosa família Hemi. Nós esperamos que todos os participantes — acadêmicos, ativistas, artistas, híbridos — sintam-se em casa e inspirados durante esses oito dias em Montreal. Também esperamos que os moradores locais percebam a cidade, a província e a nação através de novos olhos e ouvidos, influenciados pela grande variedade de manifestações que nós observaremos, discutiremos e questionaremos nos palcos, nas galerias e nos grupos de trabalho, projeções e discussões. O sociólogo Marcel Mauss escreveu sobre “les techniques du corps”. Aqui, esperamos construir juntos e começar a disseminar um arquivo de conhecimento compartilhado: “les techniques des manifs”.

A equipe de produção do Encuentro de 2014 é profundamente grata, em primeiro lugar, ao Instituto Hemisférico, Diana Taylor, diretora, Marcial Godoy-Anativia e Marlène Ramírez-Cancio, diretores associados; ao Conselho do Instituto Hemisférico; e à equipe do Hemi por terem depositado a sua fé em nossas habilidades e nossa visão como anfitriões e organizadores. Graham Carr, vice-presidente de pesquisa e estudos de pós-graduação; Benoit-Antoine Bacon, pró-reitor, e Catherine Wilde, diretora da Faculdade de Belas Artes, ofereceram apoio institucional crucial na Concordia University. E o Canadian Consortium for Performance and Politics in the Americas, um impressionante grupo de acadêmicos e artistas de todo o país, constituiu um importante apoio para a realização deste primeiro Encuentro canadense.

Este Encuentro não teria sido possível sem o trabalho incansável, magistral e generoso do produtor Stephen Lawson (ou Gigi L’Amour), o profundo conhecimento local da produtora associada, Dra. Shauna Janssen, e os superpoderes da diretora do Hospitality Concordia, Marie-Josée Allard. Finalmente, queremos agradecer a todos os participantes que criaram e carregaram as suas obras de arte, atravessaram fronteiras, mobilizaram pensamentos e ideias e viajaram para o campus da Concordia em Montreal para estarmos juntos em manifestação.

Mark Sussman

Concordia University/Great Small Works