[04] A austeridade e seus excessos: performance, neoliberalismo e a virada conservadora

Descrição:

Uma onda de governos conservadores tem alastrado-se pelas Américas, dando fim à Onda Rosa que marcou o início do século XXI. Do Trumpismo ao Movimento Brasil Livre, do neo-Fujimorismo ao Macrismo, uma Nova Direita (re)emergiu, alinhando economia neoliberal com conservadorismo social e atacando avanços nas áreas dos direitos humanos, políticas de gênero e diversidade cultural. Nesse sentido, o chamado à "austeridade" que ecoa em todo o continente refere-se não apenas aos sacrifícios que os mais pobres são convocados a suportar em prol da "economia", mas também à seriedade dos "cidadãos de bem" que seriam os próprios autores deste chamado.

Este grupo de trabalho explora as maneiras em que a performance — tanto como prática quanto como lente metodológica — desafia esse chamado à austeridade através de humor, inversões estéticas, excessos propositais e expansões epistemológicas. De que modos o teatro, a dança e a arte performática têm sido instrumentais para exceder os chamados à austeridade, para recusar o encerramento de alternativas? O que podem revelar as análises detalhadas da performance — ao vivo, no Whatsapp, no noticiário — sobre as forças que estão em jogo nessa virada radical, sobre as câmaras de ressonância de notícias fabricadas (fake news) e o negacionismo? Como pode a prática da performance ampliar o nosso entendimento do impacto que o declínio da Nova Esquerda Latino-Americana terá para a compreensão global da diferença e da diversidade?

Formato ou estrutura:

Este grupo de trabalho transnacional, multilíngue e transdisciplinar busca discutir uma diversidade de modos de pensar a partir/com/sobre a performance. Projetos que combinem rigor intelectual com experimentação estética são bem-vindos, sejam artigos/capítulos em andamento, palestras-performance, cartografias coreográficas, dramaturgias experimentais, performances-como-pesquisa curtas, roteiros em andamento… Todos os membros do grupo de trabalho enviarão uma versão preliminar da sua contribuição (artigo/roteiro/documentação em vídeo/projeto digital) para os organizadores, até no máximo um mês antes do Encuentro. Nós disponibilizaremos esses trabalhos para todos os membros, e os organizaremos em apresentações de 10-20 minutos, seguidas de comentários e discussão, durante os quatro dias em que trabalharemos juntos durante o Encuentro.

Possíveis temas podem incluir:

  • Performances que desafiam a univocidade da Nova Direita
  • A re-emergência de um patriarcado branco escancarado (machismo/feminicídios/maga)
  • Ataques à diversidade de gênero (e à diversidade em geral)
  • Jornalismo, novas mídias e eleições
  • Novo negacionismo da violência de estado
  • Extrativismo em tempos de austeridade
  • Táticas dissidentes e disruptivas e coreografias de protesto e discurso
  • A performance da cidadania em tempos de neoliberalismo
  • Novas articulações políticas de diferenças raciais
  • Performances de resistência de local específico
  • Recentes cartografias do poder
  • Alianças, solidariedade, coletividade e resistência comunitária
  • Práticas neoliberais "excessivas" na vida cotidiana

Requisitos para a candidatura:

Interessadxs devem enviar um resumo de 300 palavras do projeto, especificando o tema e o formato a ser explorado, assim como links para materiais audiovisuais online (se for o caso).

Número ideal de participantes:

10

Idiomas que xs organizadorxs do grupo falam/entendem:

Inglês, português, espanhol.

Coordenadorxs:

Sérgio Andrade é artista e professor de Dança, Performance e Filosofia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde também coordena o LabCrítica. Tem doutorado e mestrado em Filosofia pela PUC-RJ, mestrado em Artes Cênicas e bacharelado em Dança pela Universidade Federal da Bahia. No ano letivo de  2014-2015, foi professor visitante na New York University, no Departamento de Estudos da Performance e no Instituto Hemisférico. Como artista, trabalhou com projetos de dança, arte performática, intervenção urbana e videoarte no Brasil, na Colômbia e nos Estados Unidos. É coeditor do livro Performar Debates (2017).

Leticia Robles-Moreno é professora visitante no Departamento de Teatro e Dança, Muhlenberg College. Sua pesquisa está focada nos processos de criação coletiva na política e na performance contemporâneas na América Latina. Ela explora como o teatro, a arte e o ativismo, especialmente no caso de mulheres e sujeitos transnacionais, podem construir práticas em rede como estratégia de resistência e sobrevivência. Recentemente, ela tem conectado a pesquisa socialmente comprometida com o artivismo na cidade de Allentown, Pensilvânia (EUA). Seus artigos acadêmicos já foram publicados na Latin American Theatre Review, Contemporary Theatre Review, Conjunto e Hispanic Issues Online. Leticia tem doutorado em Estudos da Performance pela New York University.

Marcos Steuernagel é professor no Departamento de Teatro e Dança da University of Colorado Boulder, onde atua nas áreas de performance e política, teatro brasileiro e latino-americano e humanidades digitais. Coeditou com Diana Taylor o livro digital trilíngue O que são os estudos da performance? (2015) e está escrevendo um livro sobre política e estética no teatro e na dança contemporâneas no Brasil. Tem mestrado e doutorado em Estudos da Performance pela New York University, especialização em Cinema e Vídeo e bacharelado em Artes Cênicas – Direção pela Faculdade de Artes do Paraná.

Patricia Ybarra é professora e chefe do Departamento de Artes Teatrais e Estudos da Performance da Brown University. É autora dos livros Performing Conquest: Five Centuries of Theatre, History and Identity in Tlaxcala, Mexico (Michigan, 2009) e Latinx Theatre in the Times of Neoliberalism (Northwestern, 2017). É coeditora com Lara Nielsen de Neoliberalism and Global Theatres: Performance Permutations (Palgrave Macmillan, 2012; 2014). Recentemente, foi presidente da ATHE e membra fundadora do Grupo de Trabalho Latina/o de ATHE (agora chamado Grupo de Trabalho Latinx, Indígena e das Américas).