[18] O ruído das fronteiras

Descrição:

Uma fronteira tem som de quê? Como se escuta a migração, o deslocamento, a periferia? Como os nossos corpos absorvem as ausências, a dor, e também os intercâmbios, os processos de tradução e, em geral, as experiências que os encontros fronteiriços implicam? Como podemos escutar, através das nossas próprias sonoridades, as histórias de deslocamento e transformação que nos constituem como corpos migrantes?

A partir destes questionamentos, realizaremos neste grupo diversas dinâmicas, visando escutar os ruídos do nosso corpo: gritaremos, improvisaremos e faremos vários exercícios de escuta para, a partir disto, discutirmos as situações sociais que ocorrem em contextos de fronteira.

Cabe dizer que, quando falamos em fronteira, não falamos necessariamente em limites geográficos, mas também em divisões familiares, ideológicas, políticas ou de qualquer outro tipo, que se incorporam ao nosso ser e semeiam fendas em nosso próprio senso de identidade, ao tempo em que permitem gerar novas identidades e reconhecer-nos como seres complexos.

A premissa principal deste grupo de trabaho é que existe um contínuo entre a nossa própria sonoridade e os sons de uma sociedade fragmentada e que, portanto, podemos desentranhar as múltiplas vibrações do nosso ambiente através da escuta dos nossos ruídos internos.

Formato ou estrutura:

Este grupo de trabalho combinará discussões teóricas sobre o ruído, a ressonância e as fronteiras culturais com diversos tipos de dinâmicas de escuta e de improvisação sonora.

De maneira mais específica, nos basearemos em diversas metodologias como os protocolos de escuta do coletivo Ultrared, os exercícios de escuta profunda de Pauline Oliveros e alguns exercícios de escuta de Murray Schafer (dentre outros), para embarcarmos numa experiência coletiva centrada em escutar o ruído do nosso corpo e a sua relação com as fronteiras sociais.

Requisitos para a candidatura:

Breve carta de motivos para participar do grupo e breve descrição de trabalhos e/ou experiências próprias que se relacionem de alguma forma com a proposta do grupo.

Número ideal de participantes:

De 15 a 20 pessoas.

Idiomas que xs coordenadorxs falam/entendem:

Espanhol e inglês.

Coordenadorxs:

Rossana Lara estudou piano e musicologia na Faculdade de Música da UNAM. Sua tese doutoral questiona a formação do circuito de experimentação sonora e arte eletrônica no México e os discursos em torno do som e da tecnologia nestas práticas, a partir da antropologia e da história da mídia. Sua linha de pesquisa inclui também o estudo da música de concerto do século XX. Parte do seu trabalho já foi apresentado em foros como o International Conference on Systems Research, Informatics, and Cybernetics em Baden-Baden, o International Congress on Musical Signification na Lituânia, o simpósio Noise in and as Music da University of Huddersfield, o simpósio Mapping Sound and Urban Space in the Americas da Cornell University e o Simposio Internacional de Música y Código /*Vivo*/, dentre outros.

Jorge David García é um compositor e musicólogo mexicano e professor em tempo integral da Faculdade de Música da UNAM. Dentre os temas específicos sobre os quais gira atualmente o seu trabalho de pesquisa destacam-se a dimensão epistemológica da escuta, a relação entre a música e a política e a relação da arte com as novas tecnologias e com os movimentos sociais derivados do software livre e da internet. Mantém ainda uma frequente atividade como compositor e, como tal, já colaborou em diversos projetos de teatro, dança e cinema. Além disso, faz parte de diversos coletivos de pesquisa e improvisação sonora, dentre os quais destacam-se a Red de Estudios sobre Sonido y Escucha e o coletivo Armstrong Liberado.