[20] Tornando-se poroso: performando com (no) o caos climático

Descrição:

Surgido da convocatória de 2018 do HowlRound, Theatre in the Age of Climate Change, The Climate Commons for Theatre and Performance é uma coalizão internacional, radicalmente descentralizada de praticantes de diversas disciplinas que trabalham nas interseções entre performance e ecologia.

Neste grupo de trabalho, os membros fundadores da coalizão esforçar-se-ão para aprofundar e compartilhar metodologias para ir além do medo, do choque e da dor que naturalmente acompanham os confrontos das “longas emergências”, catástrofes súbitas e impactos da mudança climática injustamente distribuídos. Em parte um desafio ativista e em parte um exercício intelectual/estético, este grupo de trabalho pretende centralizar a paródia, a sátira e a celebração com intervenções performáticas dentro e ao redor da crise climática no Planeta Terra.

Por meio de sessões geradoras e discursivas, este grupo de trabalho se esforça para reformular nossa visão da mudança climática para além do antropocentrismo que nos trouxe, em primeiro lugar, a essa emergência global - abrindo espaço em nossas inúmeras práticas para os selvagens, os hilários, os desobedientes e os mais que humanos (more-than-human).

Formato ou estrutura:

Embora as questões climáticas nas artes sejam frequentemente colocadas na categoria de um “tópico” ambiental, estamos cada vez mais conscientes de que o clima cruza com todas as discussões mais urgentes sobre a opressão e a equidade social que nosso campo tem enfrentado historicamente. Resistindo a essa classificação, este grupo de trabalho afirma que o teatro e a performance devem liderar uma mudança cultural necessária para reconhecer a interseccionalidade e os entrelaçamentos inerentes às questões de ecologia e justiça ambiental.

O Climate Lens Playbook, uma metodologia criada por Una Chaudhuri e outros, que inspirou trabalhos apresentados em todo o mundo, será um roteiro para o processo criativo do grupo e um trampolim para recentrar nossas epistemologias individuais e coletivas em torno da prática artística.

Estamos conscientes de que os desafios representacionais (escalas de tempo, fenomenologia climática e mudanças socioeconômicas globalizadas) apresentam complexidades específicas na produção de narrativas coerentes, relevantes e provocativas, que não são apenas apresentações de ciência ou de sociologia. O Armagedom é inevitavelmente deprimente, então, como podemos difundir histórias sobre o fim da vida como a conhecemos com humor, sátira, otimismo e descolonização da imaginação de futuros bio-diversos, enquanto ainda estamos de olho na ciência e nas mudanças políticas?

O foco do grupo de trabalho permitirá que os participantes engajam na prática. O tempo será estruturado para discussões, apresentações de estudos de caso de humor, sátira, zombaria, inversões de antropocentrismo e riso, produção de escrita e performance, exibições do que for criado e uma excursão em um espaço “verde” na Cidade do México em ao menos um dos dias.

Requisitos para a candidatura:

As propostas para o grupo de trabalho devem conter: (por exemplo, resumos de papers e perfomances, clip de performances, slides de trabalho visual, etc.) Os candidatos devem enviar documentação (vídeo, fotografias, publicações/relatórios) de trabalho/performance ecologicamente engajados, bem como uma breve bio (100 palavras no máximo) e uma declaração (500 palavras no máximo) do porquê este grupo de trabalho é relevante para seu trabalho como artista, ativista, pesquisador, educador ou organizador. Por favor, inclua links para informações adicionais da bio e/ou amostras de trabalho, se desejar. Pergunta orientadora: como você se vê usando esse tipo de prática no mundo?

Número ideal de participantes:

20

Idiomas que xs coordenadorxs falam/entendem:

Inglês, espanhol e português.

Coordenadorxs:

Una Chaudhuri é professora de inglês, teatro e estudos ambientais na Universidade de Nova York (NYU). Pioneira no campo do “eco-teatro” - peças e performances que envolvem os temas da ecologia e do meio ambiente -, bem como o campo interdisciplinar dos Animal Studies, em 2014 publicou livros em ambos os campos: Animal Acts: Performing Species Today (co-editado com Holly Hughes) e The Ecocide Project: Research Theatre and Climate Change (co-autoria com Shonni Enelow). Sua monografia, The Stage Lives of Animals: Zooësis and Performance, foi publicada em 2017 pela Routledge. Chaudhuri participa de projetos criativos colaborativos, incluindo a intervenção em multi plataformas intitulada Dear Climate. Ela é membra fundadora do coletivo CLIMATE LENS.

Elizabeth Doud é artista radicada em Miami com experiência em escrita criativa e performance, bem como gestora de artes e educadora, com ênfase em intercâmbio cultural internacional e artes climáticas. Trabalhou extensivamente na América Latina e no Caribe com artes performáticas, co-criou a Climakaze Miami com a FUNDarte em 2015, uma plataforma de performance e diálogo sobre o clima. Liderou o Programa Performing Americas da National Performance Network de 2007-2018 e é PhD em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia, Brasil. Recentemente, foi professora visitante no Centro Rapoport de Direitos Humanos da Universidade do Texas, em Austin, e recebeu em 2018 uma bolsa Knight Foundation Challenge para criar uma eco-performance no sul da Flórida.

Robert Duffley é editor e dramaturgo assistente no American Repertory Theatre (A. R. T.) da Universidade de Harvard. Como parte do programa “Act II” da A.R.T., Robert projeta e incentiva eventos que convocam diversos públicos em atos de diálogo e imaginação transformadores. Tem desenvolvido trabalhos com o A.R.T. (incluindo obras co-encomendadas pelo Center for the Environment da Universidade de Harvard), LubDub Theater Co, Organic Theatre e o Moscow Art Teather. Tem escrito peças para a Contemporary Theatre Review, HowlRound, The Theatre Times e Six By Eight Press. É membro do corpo docente afiliado do Department of Performing Arts da Emerson College e residente do NYC Greenhouse do Orchard Project.

Dr. Adilson Siqueira trabalha no Departamento de Literatura, Artes e Cultura (DELAC) da Universidade Federal de São João del-Rei onde leciona no Curso de Teatro e no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas. Também é professor e coordenador do Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação em Artes, Urbanidades e Sustentabilidade. Adilson realiza pesquisa em artes cênicas e sua relação com Sustentabilidade e Mudança Climática, Formação de Atores/Performers e Ensino de Teatro. Seu projeto atual chama Ecopoéticas cênicas, performáticas e transdisciplinares.

Georgina HL Escobar nasceu em Ciudad Juárez e vive em Nova York. Édramaturga e diretora teatral, dentre suas obras mais conhecidas destacam-se Then They Forgot About The Rest (Brooklyn Generator 2018), Bi-(be) (Teatro Milagro Tour 2018), Penny Pinball Presents The Beacons (INTAR NewLab Workshop, Marfa Live Arts), Sweep (Aurora Theatre 2017), Death and the Tramp (Milagro 2016), Ash Tree (Duke City Repertory 2012), entre outras. Escreveu e dirigiu para Milagro, New York Children’s Theatre, Lincoln Center Director’s Lab, Clubbed Thumb Emerging Writers Group, Marfa Live Arts, MacDowell Colony, Djerassi e Fornés Writing Workshop. Recebeu um prêmio do Kennedy Center National Theatre for Young Audiences e foi condecorada Outstanding Service to Women no Border Award pela produção de VDAY Spotlight na Women of Juarez. Faz parte do Comitê Consultivo para o Latinx Theater Commons e faz parte do Conselho de Marfa Live Arts.