[23] Incapacidade, surdez e capacitação da performance

Descrição:

A performance e a incapacidade têm tido um diálogo muito estreito desde o seu concomitante advento na segunda metade do século XX. Este grupo de trabalho enfoca as interfaces entre a performance e a incapacidade, a surdez e a performance, destacando as inovações artísticas e estéticas que vêm sendo produzidas por essas comunidades. O grupo convoca artistas, acadêmicos, teóricos e ativistas a explorar, através de meios hápticos e cinestésicos, como a performance e da incapacidade podem-se influenciar produtivamente, desafiar os estudos da performance e ser empregados como parte de uma agenda ativista. Nós tomamos o tema deste Encontro, focando no humor e no ruído, bem como nos silêncios, para virar o mundo ao avesso e de cabeça para baixo.

Capacitando a performance

  • Como podem as perspectivas críticas sobre a surdez, a incapacidade, a doença e a saúde melhorar os entendimentos atuais sobre a performance e a performatividade?
  • Como podem os corpos surdos/incapacitados desafiar convenções de representação na arte e na vida cotidiana?
  • Como poderia a surdez incapacidade redefinir as condições de ação, visão, audição, comunicação e engajamento na performance?
  • Que novas perspectivas pode a pesquisa crítica sobre a surdez/ incapacidade, incluindo a “teoria crip”, o conceito de “vantagem do surdo” e a surdez, trazer para as discussões sobre as tensões entre as experiências vividas, as “realidades” físicas do corpo, as construções sociais sobre a surdez e sobre a incapacidade e as formas sistêmicas de discriminação?
  • Como os artistas surdos e incapacidados estão usando a performance e as novas mídias para defender a mudança social?

A surdez e a performance da incapacidade

  • Numa era de doenças crônicas e populações senescentes, onde o acrônimo TAB (Temporariamente Apto Fisicamente) vem substituindo o termo ‘fisicamente apto’ (ver Davis 2002: 36), qual é o legado do termo incapacidade e como pode a performance ajudar a situar esse legado?
  • Qual é a relação entre as práticas performáticas de pessoas surdas e de pessoas desabilitadas
  • Como a performance e os estudos da performance podem energizar e animar debates batidos, tais como a diferença entre a debilitação e a incapacidade
  • Como poderia a performance –como uma forma de questionamento– ser usada para representar a dor e transmitir experiências extremamente incorporadas da incapacidade
  • Quais são as contribuições estéticas dos artistas surdos e desabilitados para os estudos da performance?
  • De que maneiras podem a surdez e a incapacidade conectar-se com e divergir dos paradigmas frequentemente utilizados nos estudos da performance, tais como o gênero, sexo, queerness, etnia epós-colonialismo?

Referências:

Davis, Lennard (2002) Bending over Backwards: Disability, Dismodernism, and Other Difficult Positions, New York: NYU Press.

Formato ou estrutura:

O grupo de trabalho aceita ensaios, performances, trabalhos experimentais, vídeos, etc. As apresentações e discussões de cada sessão serão conduzidas na forma de um diálogo, não no formato padrão de uma conferência. A sessão final do grupo será uma prática de think-tank (grupo de reflexão), onde os participantes vão colaborativamente:

  • discutir as questões que tenham emergido das sessões anteriores,
  • listar a atual intersecção da performance e das artes de pessoas surdas e desabilitadas e pensar sobre maneiras de diversificar essa intersecção,
  • refletir sobre a formação do próprio grupo, as questões práticas envolvidas e contemplar formatos de conferência alternativos.

Número ideal de participantes:

12 (mais nós = 15).

Idiomas que xs coordenadorxs do grupo falam/entendem:

Francês, inglês, espanhol, Língua de Sinais Quebequiana (LSQ). *Os participantes podem propor comunicações na Língua de Sinais Mexicana (LSM), na Língua de Sinais Americana (ASL) ou em Sinais Internationais (IS), desde que entrem em contato com xs coordenadorxs para que se possa tomar as medidas necessárias para assegurar a devida tradução.

Coordenadorxs:

Véro Leduc é uma artista, acadêmica engajada e professora de Estudos da Comunicação na Universidade de Quebec em Montréal. Leduc é a primeira professora universitária surda em Quebec. Ela ensina no programa de ação cultural, que treina profissionais para que possam criar ações culturais e promover a democratização da cultura e a democracia cultural. Seus projetos e práticas estão ancorados na pesquisa-criação bem como nas perspectivas crítica, feminista, queer, interseccional, “crip” e surda. Sua pesquisa atual foca nas práticas artísticas de pessoas surdas e deficientes no Canadá, na música de pessoas surdas e na acessibilidade cultural. Leduc é membro de diversas equipes de pesquisa, incluindo Ageing + Communication + Technologies, Testimonial Cultures, Groupe de Recherche Sur la Médiation Culturelle, Participatory Media Cluster e Critical Disability Studies Working Group.

Laurence Parent é uma ativista, pesquisadora e artista residente em Montreal, Canadá. Ela é apaixonada pelo ativismo em pro dos direitos das pessoas desabilitadas, pela história da incapacidade e por questões relativas à mobilidade. Parent é cofundadora da Quebec Accessible e tem estado participado em diversas organizações em defesa das pessoas desabilitadas ao longo da última década. Doutoranda em Humanidades na Concordia University, Laurence tem um mestrado em Estudos Críticos da Incapacidade da York University e uma graduação bacharelado em Ciências Políticas da Université du Québec à Montréal. A sua pesquisa doutoral examina a política da “rodagem” (locomoção através do uso de cadeira de rodas) na cidade de Montreal. Os seus ensaios acadêmicos e trabalhos de vídeo e fotografia já foram apresentados em conferências e exibições no Canadá, nos Estados Unidos e no Reino Unido. Em 2016, Parent foi selecionada pela Canadian Disability Studies Association (CDSA-ACEI) como recipiente do Prêmio Francófono Tanis Doe do Canadian Disability Study and Culture.

Kim Sawchuk é uma teórica, escritora e ativista feminista residente em Montreal. Seu trabalho se foca na política do embodiment, explora questões relativas à justiça da mobilidade e analisa o uso de metodologias experimentais para a mudança social. Professora de Estudos da Comunicação, Sawchuk é co-fundadora do Studio XX, um estúdio de mídia digital feminista em Montreal e do the Critical Disability Studies Working Group. Ela é diretora do ACT- Ageing + Communication + Technologies : Experiencing a Digital World in Later Life e co-diretora do Participatory Media Cluster do Milieux Institute for Art Technology and Culture da Concordia University, Montreal.