Esta aula-debate fará uma introdução aos participantes do campo dos Estudos da Performance. Nesta discussão, explicaremos e compararemos as diferentes abordagens teóricas para o estudo da performance, incluindo a performance etnográfica, a performatividade da linguagem e a presença, a performance política, a performance digital, a performatividade de gênero e racial e a performance da visualidade. Paradigmas teóricos serão ilustrados com seleções de momentos chave na história da arte performática.

Biografia

Jill Lane é diretora do Centro de Estudos Latino-Americanos e Caribenhos da New York University e é também professora associada do Departamento de Espanhol e Português. É autora de Blackface Cuba (UPenn, 2005) e escreve sobre performance política contemporânea e arte performática.

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Descrição:

Este grupo de trabalho se propõe a pôr em prática e fazer proliferar os processos de criação de sentido que são ativados uma vez que os significados habituais são saturados até o seu desvanecimento, pressionados, distendidos e levados ao absurdo. Para tanto, utilizamos a ideia do carnaval e sua natureza horizontalizante, capaz de gerar interações não hegemônicas entre os diversos atores, para aplicá-la ao desenvolvimento de artefatos de criação.

Estamos em busca de novas línguas de produção artística: de novos códigos para a expressão, línguas híbridas, incompletas e línguas experimentais que escapam à vontade de controle do sujeito capitalista e ao inconsciente que esta desencadeia. Somos movidos pela concepção da obra como jogo, como ferramenta de dissidência epistemológica que tende a gerar tempos de suspensão dos padrões habituais de construção de mundos. Estamos interessadxs em trabalhar com ativistas, artistas e pesquisadorxs críticxs na produção de objetos criativos que possam ser ativados fora do grupo como dispositivos de prática artística e de reflexão coletiva. Estamos trabalhando no desenvolvimento de uma plataforma virtual que sirva de alojamento para estes materiais.

Formato ou estrutura:

Antes do Encuentro, entraremos em contato com xs participantes para construirmos coletivamente um plano preliminar de composição a partir das problemáticas mais relevantes levantadas pela equipe selecionada. Nas duas primeiras sessões, trabalharemos com jogos como ferramenta de criação crítica que permitam explorar vias para a análise dos temas que nos preocupam. A terceira e quarta sessões estarão destinadas à construção, através de um laboratório de criação, de uma rede de artistas, ativistas e pensadorxs que contribuirão, a partir das suas diversas experiências, para o desenvolvimento da plataforma destinada à diseminação dos nossos objetos de criação.

Idiomas que xs organizadorxs do grupo falam/entendem:

Inglês, espanhol, italiano e francês.

Coordenadorxs:

Cristina Morales Saro é pesquisadora e docente na Faculdade de Literatura da Universidad de las Artes de Guayaquil, Equador; tem doutorado em Filosofia pela Universidad de Oviedo e pela L’Universitá di Torino na área de estética. Dirige o projeto de pesquisa “Ecologías Relacionales en la Época del Big Data” (VIP-2017-055). Suas linhas de interesse navegam nos interstícios entre a estética, a linguística e a teoria política, os estudos feministas, queer, descoloniais e transculturais e a pedagogia.

Jerónimo Rajchenberg é compositor, educador e multi-instrumentista. Tem doutorado em Música pelo California Institute of the Arts como compositor e performer. Dirige o projeto de pesquisa “Learning to play like animals/Haciendo música a lo bestia”, que produz uma prática musical coletiva, divertida, eficiente e viciante. Ciclista de coração, linguista por contágio, cozinheiro por sobrevivência e amante dos animais, Jerónimo tem uma intensa carreira de compositor e músico internacional que o leva a apresentar a sua obra em diversas latitudes.

Norberto Bayo Maestre é um curador de arte, gestor, produtor cultural e professor universitário nascido em Cartaya, Huelva, Espanha. É formado em História da Música e Ciências pela Universidad de Granada. Tem um duplo mestrado em Estética e Gramática da Arte Contemporânea pela Universidad Autónoma de Barcelona. É doutorando em Estética pela Universidad Nacional de Educación a Distancia (U.N.E.D.), sob a codireção de Jordi Claramonte e Miguel Álvarez Fernández. Maestre é capacitador de formadores e mediador cultural e educacional na Universidad de Cienfuegos em Cuba, no Centro de Arte Santa Mónica de Barcelona e na Universidad Politécnica de Valencia, na Espanha. Atualmente, trabalha como professor pesquisador em tempo integral na Escuela de Artes Sonoras e como diretor da Jefatura de Nivelación Emblemática da Universidad de las Artes em Guayaquil, Equador.

Alejandra Bueno é artista visual, pesquisadora em arte e gestora cultural. Experimenta com os usos e limites da linguagem audiovisual e sua hibridação com sistemas de representação em tempo real e estuda a exploração da arte interativa e generativa com fins artísticos e pedagógicos. É formada em Belas Artes, tem mestrado em Artes Visuais e Multimídia e doutorado em Arte, Produção e Pesquisa. É diretora e criadora do Festival Internacional de Videoarte e Gênero FEM TOUR TRUCK. Atualmente, é professora pesquisadora de Arte na Universidad Nacional de Educación. Já realizou mais de 50 exposições individuais e colaborativas, ganhou diversos prêmios de obra artística em vídeo, fotografia e instalação interativa, bem como diversas bolsas e residências artísticas.

Alexandra Cárdenas é compositora, programadora e improvisadora de música. A sua jornada a levou da composição clássica ocidental ao improviso e à música eletrônica ao vivo. Utilizando softwares de fonte aberta como SuperCollider e TidalCycles, o seu trabalho enfoca a exploração da musicalidade do código e do comportamento algorítmico da música. Uma parte importante desta exploração consiste na prática do live coding, incluindo performances do mais alto nível em diferentes países, como pioneira no cenário do Algorave. Atualmente,  mora em Berlim, Alemanha, onde concluiu o seu mestrado em Sound Studies pela Universität der Künste (Universidade das Artes).

Participantes:

  • Aaron Finbloom
  • Alberto Ortega
  • Celeste Landeros
  • Daiana Pereira
  • Debrah Montoro Rodriguez
  • Denise Rogers Valenzuela
  • Hannah Kaya
  • Hector Canonge
  • Joshi Radin
  • Maria Pinheiro
  • Sofía Acosta
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Descrição:

Este grupo de trabalho examina o trabalho, uso e limites do marxismo para um mundo às avessas. À medida em que aumenta o autoritarismo e o nacionalismo de direita e, consequentemente, a contínua (des)ordem capitalista do mundo contemporâneo, que estruturas e práticas políticas temos para fraturar, para denunciar o poder e para transformar o panorama político? Ao invés de celebrar o marxismo e a luta de classes como respostas às ordens mundiais neoliberais, este grupo de trabalho tem como objetivo apontar os compromissos de marxistas queer, analizando o trabalho em que os sujeitos minoritários colocam os ideais socialistas e marxistas no passado, presente e futuro. Como, se questionam, podem as práticas de comunidades deficientes, racializadas, queer, indígenas, trans e feministas ser ocluídas (ou excluídas) pelo universalismo marxista, apesar de modificar seus próprios princípios? O que caracterizaria a redistribuição quando contende não somente com um foco nos meios de produção, mas também nas forças materiais da indigeneidade, nas divisões do terceiro/primeiro mundo e no liberalismo racial? Como a sexualidade auxilia a produção capitalista e como se forma o materialismo histórico sob os desejos, as condutas, os prazeres e sua reprodução? Ao invés de prescrever respostas a tais perguntas, recorremos a práticas estéticas, ativistas e teóricas que nos ajudam a lidar com estes anseios de construir um mundo por vir através da elaboração, da prática e da proliferação de marxismos menores.

Formato ou estrutura:

O objetivo principal deste grupo de trabalho é criar uma rede de acadêmicxs que trabalhem na interseção dos estudos da performance com a teoria marxista. Ao invés de consolidar a convenção da sessão em uma ou duas mãos, xs organizadorxs estabeleceram um comitê central que fará o trabalho de cultivar um conjunto diverso de leituras circuladas com antecedência sobre o marxismo, com a seguinte ênfase secundária: desde os textos clássicos e negligenciados (ou queer) na tradição marxista às vanguardas contemporâneas da prática marxista. Um mês antes da conferência, xs participantes apresentarão ao comitê central uma proposta de uma (1) página com espaço duplo de trabalho acadêmico, artístico ou outras formas de contribuição ao grupo de trabalho, com base nas leituras. A partir destas apresentações, xs organizadorxs dividirão xs participantes em subgrupos reunidos por interesse. Cada dia haverá uma série de atividades: uma discussão grupal coletiva sobre as leituras atribuídas naquele dia, seguida de uma subdivisão em grupos menores para uma discussão mais detalhada. A segunda metade de cada dia será dedicada a um dos subgrupos, que apresentarão (individual ou coletivamente) suas propostas de trabalho acadêmico ou projetos artísticos ao grupo completo, seguido de uma síntese e crítica grupal.

Idiomas que xs organizadorxs do grupo falam/entendem:

Inglês, espanhol, francês, chinês, coreano e alemão.

Coordenadorxs:

Joshua Chambers-Letson é professor adjunto do programa de  Estudos da Performance da Northwestern University, onde conduziu sua pesquisa nas áreas de teoria da performance, teoria crítica e teoria crítica queer racial. Dentre suas publicações, destacam-se After the Party: Performance and Queer of Color Life (NYU Press, 2018) e A Race So Different: Law and Performance in Asian America (NYU Press, 2013, ganhador do prêmio ATHE de 2014 – “Outstanding Book Award”). Colaborou com Ann Pellegrini e Tavia Nyong na coedição da série Sexual Cultures da NYU Press.

Kelly Chung será bolsista de pós-doutorado no Departamento de Estudos Asiático-Americanos e de Estudos da Mulher, do Gênero e da Sexualidade no Dartmouth College. Este verão, defendeu a sua dissertação no Departamento de Estudos da Performance da Northwestern University. Sua pesquisa examina a performance da inação (lentidão, imobilidade e negação) de mulheres feministas negras e de cor na arte visual e performática contemporânea sobre o trabalho. Foi chefe de redação do Journal of Critical Ethnic Studies.

Malik Gaines é professor adjunto do programa de Estudos da Performance da Tisch School of the Arts, na New York University. O seu livro Black Performance on the Outskirts of the Left (NYU Press, 2017), rastreia a difusão de ideias políticas na arte performática da década de 60 em diante. Os seus ensaios já figuraram no “Art Journal, Women & Performance”, “e-flux” e muitas outras publicações sobre a arte e catálogos de exposições de arte. Desde 2000, tem atuado e participado de exposições com o grupo My Barbarian, cujo trabalho já foi incluído na Bienal do Whitney Museum, em duas Bienais Performa, na Bienal de Montreal e na Trienal de Báltica, dentre outros.

Xandra Ibarra, originária da área fronteiriça de El Paso/Ciudad Juárez e atualmente domiciliada em Oakland, Califórnia, é uma artista performática que trabalha sob a alcunha de La Chica Boom. O trabalho de Ibarra já foi exibido no Museo de Arte Contemporáneo de Bogotá, Colômbia; no Museo Broad (Los Angeles, CA); na Popa Gallery (Buenos Aires, Argentina); no Joe’s Pub (Nova Iorque, NY); na PPOW Gallery (Nova Iorque, NY); e no Yerba Buena Center for the Arts (San Francisco, CA), dentre outros lugares. Ibarra já foi premiada com a bolsa de estudos Art Matters; o NALAC Fund for the Arts; o ReGen Artist Fund e o prêmio da Franklin Furnace na categoria de Performance e Mídia Variável. Ela está atualmente trabalhando como curadora de uma série de arte performática de um ano de duração no The Broad Museum com Nao. Como organizadora comunitária, Ibarra concentra-se nos movimentos abolicionistas de prisão, pelos direitos dos imigrantes e contra o estupro. Desde 2003, tem participado ativamente da organização INCITE!, uma organização nacional feminista de cor.

Hentyle Yapp é professor adjunto do Departamento de Arte e Política Pública da New York University. Yapp é docente afiliado do Disability Council (Conselho de Incapacidade), do Asian/Pacific/American Institute e do Departamento de Estudos da Performance da New York University. Os seus artigos já figuraram, e alguns aparecerão em breve, nas seguintes publicações: “GLQ”, “American Quarterly”, “Journal of Visual Culture” e “Verge: Studies in Global Asias”. Além disso, o professor Yapp é membro do coletivo Social Text. Recebeu o seu título de bachalerado da Brown University; de Juris Doctor da Faculdade de Direito da UCLA (Califórnia), com especialização em teoria crítica racial e direito pelo interesse público; e doutorado em Estudos da Performance pela UC Berkeley.

Participantes:

  • Alex Pittman
  • Ever Esther Osorio Ruiz
  • Kari Barclay
  • Kavita Kulkarni
  • Liliana Gonzalez
  • Maria Alejandra Rojas
  • Matt Jones
  • Matthew-Robin Nye
  • Nicole Fadellin
  • Roshanak Kheshti
  • Sara Mameni
  • Stephano Espiniza
  • Sue Ellen Case
  • Tavia Nyong'o
  • Wendy Lotterman
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Descrição:

Este grupo de trabalho busca gerar um território de experimentação corporal, somática, conceitual e performática sobre xs cuidadores. Com a compreensão das trajetórias de ações de certos agentes latino-americanos, que se aproximam do pensamento crítico dos feminismos, e autores como Félix Guattari, Donna Haraway, Suely Rolnik e Peter Pal Pelbart, dentre outros, queremos cartografar práticas de cuidado. Queremos que xs participantes mobilizem e identifiquem densidades poéticas e metodológicas nestas ações e analisem através da criação de redes de cuidados a partir de uma perspectiva micropolítica e do afeto. Para tanto, propomos a noção de “Cuidado Irreverente” àqueles envolvidos com a experimentação artística, mas não exclusivamente. São eles que instauram a liminalidade, a ambiguidade, as irreverências, as ironias e o humor, ao operar experiências coletivas de cuidados vitais. É em meio a estas desorganizações propostas, pela forma relacional experimentada, que algo de diversão aparece, além do cuidado habitual. Isso mobiliza a hegemonia dos papeis atribuídos aos sujeitos e também as formas como se deve cuidar. O que implica também tornar irreverentes os próprios resultados efetivos de cuidado.

Formato ou estrutura:

O formato será o de oficina. Cada participante produzirá uma proposta de forma coletiva com vista à reflexividade, um mapeamento e uma ação reflexiva acerca dos processos de cuidado que desafiarão a nossa presença no mundo. Haverá discussão de leituras e algumas anedotas. A ideia é sentarmos comodamente para nos aproximarmos e nos empoderarmos criticamente.

Idiomas que xs organizadorxs do grupo falam/entendem:

Espanhol e português

Coordenadorxs:

Cristina Ribas é artista, pesquisadora e curadora ocasional. É bolsista de pós-doutorado da UFRGS, Brasil. Desde 2008, tem organizado residências para artistas e outros projetos interdisciplinares, como Interações Florestais e Pedregulho Residência Artística. Sua prática no sentido mais amplo promove articulações entre os diagramas, a memória, a história, os arquivos, a esfera pública e a política. Entre 2005 e 2010, desenvolveu o projeto de pesquisa “Arquivo de emergência”, criando um arquivo para práticas artísticas coletivas e públicas no Brasil. Em 2011, parte desta pesquisa transformou-se na plataforma aberta Desarquivo.org. Ribas concluiu seus estudos doutorais no Departamento de Belas Artes do Goldsmiths College, Londres, e tem um mestrado em Processo Artístico Contemporâneo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Nasceu em São Borja, Rio Grande do Sul em 1980. Atualmente vive no Brasil.

Paulina Varas é curadora, acadêmica e pesquisadora do Campus Criativo da Universidad Andrés Bello, Santiago, Chile. É formada em Arte pela Universidad de Playa Ancha e tem um doutorado em História e Teoria da Arte pela Universidad de Barcelona. É coordenadora de CRAC Valparaíso e desde 2007 é membro da Red Conceptualismos del Sur (RedCSur), onde já participou de ações de apoio e grupos de trabalho no Chile, Espanha, Argentina e Peru, dentre outros. Já escreveu sobre a arte contemporânea chilena e latino-americana em revistas e publicações internacionais. Como curadora ou cocuradora, destacam-se os seus projetos: “Certo tipo de poética política” (Valparaíso 2008); Subversive Practices: Art under conditions of political repression, 60s-80s South America-Europe” (Stuttgart, 2009); “Valparaíso: Intervenciones” (Valparaíso 2010); “Una acción hecha por otro es una obra de la Luz Donoso” (Santiago 2011), “Deisler, los años antofagastinos” (Antofagasta, 2012); “Artist for Democracy: el archivo de Cecilia Vicuña” (Santiago 2014).

Albeley Rodríguez Bencomo é escritora, acadêmica, pesquisadora, docente e curadora. Tem doutorado do Programa de Estudos Culturais Latino-Americanos da Universidad Andina Simón Bolívar (Equador) e mestrado em Estudos da Cultura, Políticas Culturais pela mesma universidade. Tem mestrado em Museologia (UNEFM, Falcón- Venezuela) e é formada em Letras, História da Arte (ULA, Mérida). Atualmente, é professora universitária e membro da Red de Conceptualismos del Sur. Seus trabalhos curatoriais incluem: “Ecuaterrestres” (um projeto artístico do artista equatoriano José Luis Macas), “ArteActual” (FLACSO) e “Chawpi Laboratorio de Creación”, Quito, dentre outros. Já publicou livros e artigos sobre a arte latino-americana contemporânea em revistas especializadas na Argentina, Chile, Espanha, Equador e Venezuela e já foi professora e palestrante no Equador, Venezuela e Colômbia.

David Gutiérrez Castañeda é sociólogo da Universidad Nacional de Colombia (2006), tem mestrado em História da Arte pela Universidad Nacional Autónoma de México (2011) e doutorado em História da Arte (2016) pela UNAM, com ênfase em estudos da performance e gênero, arte e política na América Latina e museologia contemporânea. É professor adjunto em tempo integral no curso de licenciatura em História da Arte da Escuela Nacional de Estudios Superiores Unidad Morelia (ENES), da UNAM. É membro do coletivo de pesquisa Taller de Historia Crítica del Arte e da Red de Conceptualismos del Sur. É também bolsista pelo Colegio Mexiquense e pela Ford Foundation para o programa Liberdades Laicas, a fim de pesquisar sobre a arte e a laicidade no Colegio de México (2006). Ganhou o Prêmio Nacional de Crítica de Arte do Ministério da Cultura da Colômbia em 2010 e é autor do livro Mapa Teatro 1987-1992 (2014).

Participantes:

  • Agustine Zegers
  • Ana Trincao
  • Christoforos Pavlakis
  • Everton Lampe
  • Florencia Carrizo
  • Hattie Houser
  • Julied Zapata Arias
  • Marta Peres
  • Naira Ciotti
  • Nayeli Pérez
  • Nora Daniela Márquez
  • Rosalia Lerner
  • Zoitsa Carolina Noriega
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Descrição:

Há algum tempo, a pesquisa baseada na prática como princípio político e epistemológico tem questionado as formações hegemônicas do conhecimento, desfocando espaços e temporalidades da experiência cognitiva e criação de significado e virando do avesso as noções tradicionais de percepção, ação e encorporação (embodiment). Este grupo de trabalho convida artistas, pesquisadorxs e ativistas cujo trabalho utilize a performance para mobilizar e/ou teorizar o poder afetivo, a produção de conhecimento e a política coletiva, ampliando assim a compreensão atual e os enfoques da prática-como-pesquisa. Pondo em discussão as teorias do afeto, do jogo e da política, nosso objetivo é explorar a pesquisa criativa que envolve processos performáticos e processos midiáticos de controle hegemônico, subversão estratégica e formação espontânea. As perguntas que enquadrarão as nossas discussões são: Como se pode usar a performance como método para rastrear estratégias de (des)saturação, desorientação, recalibragem sensorial, (des)subjetivação e excesso coletivo? Como pode a composição de pesquisa realizar epistemologias afetivas de pensamento/sentimento, bem como abordar situações e multiplicidades ao invés de indivíduos? Como podem as representações lúdicas do nosso presente político combater o "esgotamento da compaixão", “wokeness” e o liberalismo trivial para dar espaço à solidaridade profunda e à transformação sistêmica? Como podem o humor e o jogo oferecer, não somente táticas, mas também estruturas de emancipação?

Formato ou estrutura:

Convidamos análises artísticas, etnográficas e teóricas de eventos ou práticas que utilizem a performance como um método para compreender e/ou responder à política afetiva.

Os possíveis temas incluem:

  • Iterações hemisféricas de prática-como-pesquisa
  • Tecnologias de jogos e mídia: mimetismo, competição, possibilidade e vertigo
  • Afeto e carne: mediações políticas
  • “Machinic Saturation” (saturação maquínica): retweets, compartihamento excessivo e teleaudiência descomedida
  • Capitalismo agnotológico: ignorância e o pós-fatual
  • Mobilizações em rede e insurgências de memes
  • Performances “bots and trolling” como “playing with” (jogar com)
  • Descolonização sensorial, desvinculação, fugitividade
  • Formações de enxames e individualidade distributiva
  • Des-identificação 2.0
  • Respostas anárquicas ao neoliberalismo
  • Quietude, lentidão e retirada
  • Delinquência estética e prazeres não capturados

Nossas sessões serão estruturadas em torno dos componentes principais: discussões de ensaios críticos que xs participantes terão lido com antecedêcia e apresentações dos trabalhos dxs participantes (ensaios acadêmicos, atuações ou práticas de meios táticos). Xs coordenadorxs encorajam xs participantes selecionadxs a explorar diversos modos de apresentação do seu trabalho durante as reuniões. Antes do Encuentro, pediremos que xs participantes enviem as descrições finais do projeto e os trabalhos/roteiros/textos experimentais. Xs coordenadorxs indicarão umx participante como respondente para cada texto e pedirão que cada respondente redija um texto de resposta de 5 minutos, avaliando como o projeto relaciona-se com as perguntas do grupo de trabalho e qual a sua contribuição.

Idiomas que xs organizadorxs do grupo falam/entendem:

Português, espanhol, inglês

Coordenadorxs:

Pablo Assumpção Barros Costa é professor do programa de pós-graduação em Artes e do curso de bacharelado em Dança da Universidade Federal do Ceará (Fortaleza, Brasil). Seus temas de pesquisa incluem as práticas de etnografia experimental, teorias de encorporação (enbodiment), arte performática e espaço urbano e a teoria queer. Barros Costa é o diretor editorial de Vazantes (revista especializada nas artes no Brasil) e foi “Global Visiting Scholar” (Professor Visitante Internacional) no Centro de Estudos de Gênero e Sexualidade da New York University em 2017.

Sebastián Calderón Bentín é professor no Departamento de Drama da New York University. Sua pesquisa enfoca a teoria da arte performática, os meios de comunicação e os estudos culturais na América Latina. Seus textos já foram publicados em revistas como Theatre Survey, TDR, Identities e Istmo, bem como em antologias de livros como Neoliberalism y Global Theatres (Palgrave Macmillan, 2012) e Support Networks (University of Chicago Press, 2015). Como artista teatral, já colaborou com “Witness Relocation”, Anna Deavere Smith, John Jesurun, Ann Carlson, Faye Driscoll, o Institute of Failure de Tim Etchells e Matthew Goulish e o International Contemporary Ensemble. Frequentemente atua com a companhia de teatro Every House Has a Door, com sede em Chicago, e é membro fundador da colaboração teatral Donovan & Calderón.

Marcela A. Fuentes é professora do Departamento de Estudos da Performance da Northwestern University. O seu trabalho enfoca a arte performática e as redes digitais como ferramentas táticas nos movimentos de insurreição contemporâneos. Através do conceito de "performance constellations" (constelações de performance), examina como as práticas de “hacktivismo”, protestos nas redes sociais, memes, narração digital, “flash mobs” e outras performances tecno-políticas redefinem as noções de vitalidade, especificidade de local e encorporação como aspectos cruciais da mobilização transnacional. Atualmente, Fuentes é membra do Conselho Editorial da HemiPress, uma iniciativa de publicação digital do Instituto Hemisférico de Performance e Política. É membra também do coletivo feminista "Ni Una Menos" e consultora externa da Bienal de Performance em Buenos Aires, Argentina.

Christine Greiner é professora no Departamento de Linguagens Corporais, programa de pós-graduação em Comunicação e Semiótica e programa de bacharelado em Comunicação e Artes Corporais na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil. É autora de vários livros e artigos sobre dança e performance contemporâneas, cultura japonesa e filosofia corporal, dentre eles: Readings of the Body in Japan and Cognitive Diasporas (2015) e Fabulations of the Japanese Body and Microactivisms (2017), ambos publicados por n-1 Publications (São Paulo, Brasil).

Participantes:

  • Adam J` Scarborough
  • Alma Martinez
  • Andre Carreira
  • Carminda Mendes André
  • Celia Vara
  • Elia Arce
  • Enzo Vasquez Toral
  • Evan Pensis
  • Hannah Schwadron
  • Isil Egrikavuk
  • Jean-François Côté
  • Jeff McMahon
  • Karen Schupp
  • Lo Bil
  • Lua Girino
  • Marlon Jimenez Oviedo
  • Melissa M. Wilcox
  • Zena Bibler
  • Marco Vidal
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Descrição:

"Eu sugeriria uma campanha: não atacar os costumes com a espada flamejante da indignação nem com o tremor lamentável do pranto, mas evidenciar o que têm de ridículos, de obsoletos, de cafonas e de imbecis. Lhes asseguro que temos um material inesgotável para o riso. E precisamos tanto rir, porque o riso é a forma mais imediata de liberação do que nos oprime, do distanciamento daquilo que nos aprisiona!”

—Rosario Castellanos

Pode-se pensar no humor e no riso como afetos/afetações capazes de detonar ação e/ou transformação. O potencial do humor como arma de resistência é uma prática que a performance feminista conhece bem, assim como muitas produções culturais feministas em geral. Muitas têm adotado como ferramentas críticas a ironia e a paródia, desde a citada Rosario Castellanos até Jesusa Rodríguez, somente para nomear duas. Diante de tanta desigualdade, injustiça e violência contra nós, o humor nos cura, para não morrermos de desgoto, e nos provoca com uma resistência jocosa que enfrenta o poder patriarcal e lhe diz: “Te desobedeço criativamente”.

Através do humor feminista, pode-se reconceber e ressignificar experiências que são fatos sociais construídos em contextos específicos, segundo parâmetros de gênero, classe, raça, idade ou outras diferenças cruciais que fazem alusão a sistemas simbólicos com os quais cada cultura imagina a sua existência. O humor é sempre situado. O uso de estratégias humorísticas na performance mostra deslocamentos epistêmicos específicos, característicos do nosso tempo. Refletiremos juntxs sobre os usos do humor em nossas produções culturais feministas em geral e, mais especificamente, na performance, perguntando-nos: De que maneiras podemos construir o humor feminista? Como podemos encorporar o riso insolente feminista?

Formato ou estrutura:

O trabalho do grupo será estruturado a partir das apresentações de cada participante, para vermos as linhas de comunicação de cada proposta e podermos criar em conjunto uma ação para a plenária final, através dos formatos propostos nas sessões do grupo.

Faremos uma rápida revisão de arquivos, bem como dos próprios repertórios; pensaremos – como coletividade emergente, efêmera, situada num contexto muito específico e de acordo com os nossos presentes – experiências e objetivos políticos dos quais queremos rir; e buscaremos em nossos repertórios as estratégias humorísticas necessárias para poder comunicar tudo isto através do corpo.

Idiomas que xs organizadorxs do grupo falam/entendem:

Espanhol, inglês, português e um pouco de francês.

Coordenadorxs:

Julia Antivilo Peña é historiadora e artivista performática feminista de Huasco, Chile. Escreveu os livros Belén de Sárraga. Precursora del feminismo Hispanoamericano com Luis Vitale (2000) e Entre lo sagrado y lo profano se tejen rebeldías. Arte feminista Latinoamericano (2015), dentre outros. Escreveu também vários artigos em revistas sobre estudos culturais, o papel social e cultural das mulheres e referentes à arte, gênero e feminismos. Tem doutorado em Estudos Culturais Latino-americanos pela Universidad de Chile e concluiu recentemente uma pesquisa de pós-doutorado sobre o artivismo e a dissidência sexual na América Latina (UAM). Como performer, fez parte de vários coletivos artivistas feministas no Chile e no México. Já se apresentou em vários eventos acadêmicos e artísticos em países como Chile, Argentina, Bolívia, Colômbia, Uruguai, Costa Rica, Estados Unidos e Canadá. Reside no México e colabora com os grupos de arte (e seus arquivos): La Pocha Nostra, Pinto mi Raya e Producciones y Milagros Agrupación Feminista A.C.

Alejandra Gorráez Puga é feminista, pesquisadora e performer de Puebla, México. Atualmente participa do programa de doutorado do curso de pós-graduação em História da Arte da UNAM, onde desenvolve a pesquisa O humor e o riso como ferramentas: mulheres performers no México, que é um exercício de intervenção na história da arte contemporânea mexicana a partir dos feminismos e dos gestos anti/descoloniais. Acredita profundamente no poder das metáforas e o seu trabalho, tanto analítico quanto criativo, enfoca a compreensão, assimilação, transmissão e encorporação das mesmas, bem como a apropriação de metodologias performáticas para a intervenção multidimensional dos presentes, nos quais existimos como parte de práticas culturais feministas, coletivas, de resistência e de ativismo espiritual.

Participantes:

  • Adriana Orjuela
  • Alexandra Martins
  • Aurora Valverde
  • Carolina Van Eps
  • Claudia Medina
  • Dalia Yanina Orellana
  • Elena Igartuburu
  • Em Piro
  • Fabiana Faleiros
  • Fabiola Torralba
  • Juliana Mafra
  • Meryl Murman
  • Nae Hanashiro Avila
  • Olga da Costa Lima Wanderley
  • Teodora Elvira Lara Lecuona
  • Siri Gurudev
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Descrição:

Pular, escapar, deslizar, transcender, brincar, perturbar, cantar, jogar, exceder, enganar, transformar, dançar: ações que se manifestam nos festejos e celebrações das diversas culturas que nos atravessam, criando um mundo de formas dinâmicas que propositadamente nos tiram do sério, do fixo, da normatividade. Assim é também se debruçar-nos sobre nossas experiências cotidianas no mundo acadêmico como pesquisadores articulando o fazer da cena artística, no ruído social de um mundo às avessas. Portanto, nas possíveis articulações destas histórias que produzimos, nos propomos a questionar a partir das experiências, imbricações e hibridizações entre as performances sagradas, as cenas artísticas, o corpo transfigurado, que se expressa e cria a cena. Personagens/personas que atualizados e recuperados de antigas tradições são reconfigurados no difícil momento político de novas formas de antigas ditaduras latino-americanas. E aqui convidamos artistas, ativistas e acadêmicxs a participarem do estudo investigativo destes eventos/performances que mobilizam e abalam nossa sociedade em busca de novas formas de expressão sócio-político-cultural.

Formato ou estrutura:

Os participantes discutirão e desenvolverão atividades pertinentes aos temas específicos do grupo de trabalho, utilizando-se de suporte visual, sonoro ou corporal.

Idiomas que xs organizadorxs do grupo falam/entendem:

Português, inglês, espanhol.

Coordenadorxs:

Zeca Ligiéro é autor, diretor e artista visual, com mestrado e Ph.D. da NYU, pós-doutorado da Yale University e Paris VII. Professor titular do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – PPGAC-UNIRIO e coordenador do NEPAA - Núcleo de Estudos das Performances Afro-Ameríndias e Pesquisador Cientista do Nosso Estado – Faperj. Atua principalmente nas linhas de estudos da performance afro-brasileira e do teatro experimental. Publicou, dentre outros: Divine Inspiration from Benin to Bahia (EUA), Iniciación al Candomblé (Colômbia), Malandro Divino,  Carmen Miranda: uma performance afro-brasileira, Teatro e Dança como experiência comunitária e Corpo a Corpo: estudos das performances brasileiras. Foi organizador de Performance e Antropologia de Richard Schechner e um dos organizadores de Augusto Boal: arte, pedagogia e política.

Ausonia Bernardes é formada em Dança pela Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia e tem um mestrado em Educação Musical pelo Conservatório Brasileiro de Música, Rio de Janeiro e um doutorado do Programa de Pós-Graduação em Teatro, pela Universidade do Rio de Janeiro, UNIRIO. Foi vice–diretora e coordenadora acadêmica da Faculdade Angel Vianna, FAV, no Rio de Janeiro, desde a sua fundação em 2000 até 2011. Professora da FAV, da matéria Dança, Temporalidade e História, desde 2009. Pesquisadora pelo Núcleo de Estudos das Performances Afro-Ameríndias (NEPAA) na UNIRIO. Suas áreas de interesse são: corporeidade e preparação cênica, história da dança, estudos da performance, e danças afro brasileiras.

Participantes:

  • Adriana Guzmán
  • Allende Renck
  • Bronwyn Sims
  • Bya Braga
  • Elderson Melo De Miranda
  • George Holanda
  • Helder Miranda
  • Honey Crawford
  • Lais Bernardes
  • Leandro Martínez Depietri
  • Maria José Villares Barral Villas Boas
  • Melissa Lopes
  • Oscar Enrique Serrano Ramírez
  • Roberson de Sousa Nunes
  • Sandra Sotelo-Miller
  • Tatiana Maria Damasceno
  • Eleonora Gabriel
  • Patricia Ordaz
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Descrição:

Convidamos xs interessadxs a pensar/utilizar o riso como tática de resistência e subversão dos limites discursivos e materiais que autorizam e excluem determinados corpos e subjetividades. Nos aproximaremos do uso subversivo do riso como modo de ação para o ativismo trans/feminista e queer, como um espaço para a realização do desejo de multiplicidade, e uma proposta de abordar o conhecimento através da incorporação triunfal da festa. (Kirkwood 1982).

De fato, a experiência de ações de protesto corpolítico de mulheres e coletivos feministas de direitos humanos e expressões de ativismo trans/feminista e queer na América Latina nos ensina que o humor tem servido para resistir, sobreviver, transgredir e pincelar com ironia e inteligência situações densas e de risco de vida.

Como romper quadros regulatórios e restituir a propriedade sobre o corpo em contextos em que a possibilidade de libertá-lo é arrebatada? Como escamotear o peso da ontologia e dinamitar as expectativas de identidades substanciais? Quais as vantagens da performance como prática corporizada? Quais as oportunidades éticas e políticas advindas da reorganização paródica e subversiva do corpo? Como pode o riso traduzir a consciência e a experiência do não-heteronormativo dominante? Quais os repertórios para o riso? Com que táticas se pode mudar o corpo do pânico para o risonho/tosco/subversivo?

O nosso objetivo é refletir e experimentar com o uso tático do riso como uma arte de transformar a fragilidade que permite a hábil conjugação entre saber, fazer e saber dizer (De Certeau 2000; Ludmer 1985), um instrumento para pensar outros modos de expressão e resistência política.

Formato ou estrutura:

Começaremos com uma discussão em torno do uso do riso e da paródia como táticas de resistência e transgressão de enquadramentos colonizadores e heteronormativos. Para tanto, revisaremos alguns registros e memórias de ações de arte e de práticas ativistas queer e trans/feministas nas Américas, que tenham usado o humor como mecanismo para desmistificar narrativas hegemônicas do corpo e socavar o poder em contextos de repressão política e patriarcal.

Em seguida, passaremos a uma etapa de experimentação cênica para implementar uma prática coletiva de resistência corporal que leve xs participantes a traduzir suas experiências afetivas em experiências públicas e carnais. O objetivo é transformar o incômodo em ação. Usaremos o humor como dispositivo significante para transtornar a ordem, remover a podridão e ensaiar formas de vida mais vivíveis.

Criaremos uma performance, suscetível de ser replicada, deformada e ampliada em outros contextos de protesto e subversão. Buscamos articular uma revolta de corpos risonhos e indisciplinados, que sacuda a ficção do realismo biográfico-sexual e a seriedade civilizatória da linguagem patriarcal. A perspectiva do corpo como campo de reflexão-ação é também um convite a considerar e a levar a sério (mas não tanto) a sua materialidade e o seu potencial para o desenvolvimento de um projeto emancipatório dos limites de inteligibilidade social.

Idiomas que xs organizadorxs do grupo falam/entendem:

Soledad Falabella: castelhano (idioma materno), português (parte oral e escrita regulares; leitura excelente), inglês, francês e holandês fluentes (parte oral, escrita e leitura), alemão (parte oral e escrita regulares; leitura excelente).

Naty Menstrual: castelhano (idioma materno).

Ana Laura López: castelhano (idioma materno), inglês (parte oral, escrita e leitura regulares).

Constanza Muñoz: castelhano (idioma materno), português, inglês, alemão (parte oral, escrita e leitura regulares).

Coordenadorxs:

Soledad Falabella tem um Ph.D. em Línguas e Literaturas Hispânicas da University of California, Berkeley. É professora de Teoria Crítica Feminista, Performance e Poesia no programa de mestrado em Gênero e Cultura da Universidad de Chile e pesquisadora no projeto “Women Mobilizing Memory” do Center for the Study of Social Difference da Columbia University. É diretora acadêmica do Programa de Redação Acadêmica Avançada para bolsistas do Consórcio para Pesquisa e Capacitação Avançada na África, membra do comitê editorial da revista do Instituto Hemisférico de Performance e Política (HEMI) e diretora de ESE:O. É autora de ¿Qué será de Chile en el cielo? Poema de Chile de Gabriela Mistral (LOM Santiago, Chile 2003) e editora das antologias poéticas de mulheres mapuche.

Naty Menstrual é escritora, atriz, performer, deformadora, designer e artista visual. Estudou locução no Instituto Superior de Ensino Radiofônico de Buenos Aires, design de vestuário industrial com Marcela Roldán e design experimental com Dante Taparelli. Em 2011, participou do filme Mía, de Javier Van de Couter, e em 2015 foi protagonista do filme Huesitos de pollo, de Juan Manuel Ribelli. É autora de Batido de Trolo (Ed. Milena Caserola, Buenos Aires, 2005), Continuadísimo (Eterna Cadencia Editorial, Buenos Aires, 2008) e Poesía recuperada (Zindo y Gafuri, Buenos Aires, 2017). Protagoniza Naty menstrual show cabaret.

Ana Laura López é formada em Ciências da Comunicação pela Universidad de Buenos Aires, atriz, diretora teatral e escritora. Foi premiada dois anos consecutivos pela Universidad de Morón por sua produção poética e recebeu uma distinção de Argentores y Metrovías pelo seu monólogo Las manos de Perón, publicado pela Editorial Cadán, e outra por seu romance LA MANADA, concedida pela Biblioteca Nacional e pela Televisión Pública no contexto do concurso de narrativas Eugenio Cambaceres.

Constanza Muñoz é atriz e tem um mestrado em Estudos de Gênero e Cultura pela Universidad de Chile, onde atualmente é professora assistente do seminário Retóricas Feministas. Desde 2009, integra o coletivo artístico La Junta, que tem tido como eixo central a reflexão em torno das causas, limites e consequências da violência sistêmica do neoliberalismo no Chile e na América Latina. É também pesquisadora teatral, além de coordenadora e coautora de El género en escena: relaciones en la práctica laboral de teatro en Chile (Osoliebre, Santiago 2017), o primeiro estudo no Chile a explorar a reprodução de inequidades e estereótipos de gênero no teatro e seus efeitos materiais e simbólicos na dimensão trabalhista. Está trabalhando atualmente na redação de sua segunda publicação sobre o uso do humor como dispositivo retórico e tática estético-política nas performances de mulheres ativistas de direitos humanos durante a ditadura cívico-militar no Chile.

Participantes:

  • Andrea Vertone
  • Andres Carreño
  • Fernando Rodriguez
  • Karla Silva Ribeiro
  • Letícia Barbosa
  • Lin Alves Arruda
  • María José Rodríguez Ávila
  • Melina Gaze
  • Melissa M. González
  • Rae Langes
  • Ricardo Marinelli Martins
  • Roxana Gómez Tapia
  • Solana Chehtman
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Descrição:

Este grupo de trabalho interdisciplinar convida ativistas, acadêmicxs, artistas, organizadorxs comunitárixs e trabalhadorxs culturais a explorar estratégias coletivas de resistência ao extrativismo. Enquanto o extrativismo refere-se comumente à lógica de reduzir a natureza a mercadorias e a resultante hiper-exploração1 das indústrias de minas, petróleo e gás, nós adotamos a linha de Leanne Betasamosake Simpson, pesquisadora Michi Saagiig Nishnaabeg, de que o extrativismo é, de fato, ideologicamente fundamental ao colonialismo e ao capitalismo em suas formas endêmicas.2


1 Gómez-Barris, Macarena. The Extractive Zone: Social Ecologies and Decolonial Perspectives. Durham & London: Duke University Press, 2017. 29.

2 http://www.yesmagazine.org/peace-justice/dancing-the-world-into-being-a-conversation-with-idle-no-more-leanne- simpson


A narração, a performance e a cultura visual são igualmente vitais para a perpetuação das ideologias extrativistas e sua resistência. Desde as histórias de ‘responsabilidade social corporativa’ contadas pelas elites da indústria mineira para acalmar os acionistas da companhia, a mobilizações performáticas de protesto, este grupo de trabalho examinará como é narrado, interpretado e representado o (anti)extrativismo. Com isso, visamos ampliar a nossa compreensão das táticas de representação do extrativismo – e expandir a nossa capacidade de resistir a elas – de diversas formas: desde a atuação performática do relajo3 até os atos de rejeição. Ao observar como as lógicas do extrativismo têm sido afetadas e questionadas por meio da sátira, do deboche e da denúncia jubilosa, buscamos fortalecer nossa capacidade de rejeitar, resistir e reimaginar criativamente este paradigma.

Formato ou estrutura:

Este grupo de trabalho enfocará os métodos colaborativos, explorando o tema do (anti)extrativismo e como podemos trabalhar juntxs na resistência. Inspirando-se nas “consultas comunitárias” ou nos referendos comunitários, destacaremos a ideia da consulta comunitária. Nas regiões afetadas por projetos de extração de recursos, frequentemente há consultas comunitárias em que cada membro da comunidade tem o direito de votar se permite que o projeto seja executado. Esta tomada de decisões por consenso está consagrada na UNDRIP4 e tem tido sucesso em certos contextos. Muito frequentemente, porém, isso é visto como não vinculante e as companhias multinacionais de extração continuam operando com impunidade e sem licença social.

Nas nossas sessões iniciais, veremos vários estudos de caso, examinando diversas formas de (anti)extrativismo. Em seguida, trabalharemos colaborativamente para criar uma intervenção pública de local específico, determinada pelxs participantes do grupo de trabalho, experimentando em primeira mão com a participação de atores não estatais e o papel das intervenções criativas para contestar o poder da indústria extrativa. Nossas leituras e debates também levarão em conta os aspectos extrativos da pesquisa em si, ao tempo em que exploramos novas formas de trabalhar juntxs na resistência ao extrativismo em todas as suas formas, desde a mina até a universidade.

Idiomas que xs organizadorxs do grupo falam/entendem:

Inglês, espanhol, francês


3 Portilla, Jorge. Fenomenología del Relajo. Mexico City: Fondo de Cultura Económica, 1986.

4 United Nations Declaration on the Rights of Indigenous Peoples https://www.un.org/development/desa/indigenouspeoples/declaration-on-the-rights-of-indigenous-peoples.html


Coordenadorxs:

Merle Davis é uma pesquisadora de origem europeia que aborda o tema do território tradicional dos povos mississaugas do Credit River, Petun, Huron-Wendat e Seneca. Colabora com a Mining Injustice Solidarity Network (MISN). Sua pesquisa de mestrado na York University sobre Estudos de Ciências e Tecnologia enfoca a extração de recursos e o paradigma extrativo. Merle atualmente está explorando métodos de pesquisa que resistam ao paradigma extrativo no meio acadêmico.

Zoë Heyn-Jones é pesquisadora, artista, educadora e trabalhadora cultural de origem europeia e desconhecida, que cresceu na terra Saugeen Ojibway em Ontário (Canadá) e na terra Tz'utujil/Kaqchikel Maya na Guatemala. Zoë está atualmente cursando um doutorado em Artes Visuais na York University e é bolsista no CERLAC (Centre for Research on Latin America and the Caribbean), pesquisando a performance do ativismo solidário na Guatemala e no Canadá. Pretende aprofundar este trabalho como bolsista de pós-doutorado no Canadian Consortium on Performance and Politics in the Americas em 2018-19.

Laura Levin é artista e pesquisadora de origem europeia e professora associada de Estudos Teatrais e Performance na York University. É editora de Theatre and Performance in Toronto e Conversations Across Borders (com Guillermo Gómez-Peña); coeditora de Performance Studies in Canada (com Marlis Schweitzer) e autora de Performing Ground: Space, Camouflage, and the Art of Blending In. A sua pesquisa atual enfoca a performance e a cultura política, a intervenção urbana de local específico, a performance e as mídias digitais. É copesquisadora do Canadian Consortium on Performance and Politics in the Americas.

Kimberly Richards é pesquisadora de origem européia no território tradicional da Confederação Blackfoot. Ela é doutoranda em Estudos de Performance na University of California em Berkeley e recebeu a bolsa Edward Hildebrand Graduate Fellowship em Estudos Canadenses. Sua pesquisa lida com uma série de práticas performativas em torno das fronteiras do petróleo, onde as dimensões políticas do petróleo são negociadas, as ideologias extrativistas são encenadas e as táticas teatrais são usadas para impedir a expansão do petro-imperialismo. Atualmente, ela é co-editora do volume sobre extrativismo em culturas de performance canadenses da Canadian Theatre Review.

Participantes:

  • Alana Dunlop
  • Dana Prieto
  • Cordelia Istel
  • Gabriela Jimenez
  • Helene Vosters
  • Jarvis Brownlie
  • Roewan Crowe
  • Selena Couture
  • Syndey Lang
  • Valerie Frappier
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Descrição:

Uma onda de governos conservadores tem alastrado-se pelas Américas, dando fim à Onda Rosa que marcou o início do século XXI. Do Trumpismo ao Movimento Brasil Livre, do neo-Fujimorismo ao Macrismo, uma Nova Direita (re)emergiu, alinhando economia neoliberal com conservadorismo social e atacando avanços nas áreas dos direitos humanos, políticas de gênero e diversidade cultural. Nesse sentido, o chamado à "austeridade" que ecoa em todo o continente refere-se não apenas aos sacrifícios que os mais pobres são convocados a suportar em prol da "economia", mas também à seriedade dos "cidadãos de bem" que seriam os próprios autores deste chamado.

Este grupo de trabalho explora as maneiras em que a performance — tanto como prática quanto como lente metodológica — desafia esse chamado à austeridade através de humor, inversões estéticas, excessos propositais e expansões epistemológicas. De que modos o teatro, a dança e a arte performática têm sido instrumentais para exceder os chamados à austeridade, para recusar o encerramento de alternativas? O que podem revelar as análises detalhadas da performance — ao vivo, no Whatsapp, no noticiário — sobre as forças que estão em jogo nessa virada radical, sobre as câmaras de ressonância de notícias fabricadas (fake news) e o negacionismo? Como pode a prática da performance ampliar o nosso entendimento do impacto que o declínio da Nova Esquerda Latino-Americana terá para a compreensão global da diferença e da diversidade?

Formato ou estrutura:

Este grupo de trabalho transnacional, multilíngue e transdisciplinar busca discutir uma diversidade de modos de pensar a partir/com/sobre a performance. Projetos que combinem rigor intelectual com experimentação estética são bem-vindos, sejam artigos/capítulos em andamento, palestras-performance, cartografias coreográficas, dramaturgias experimentais, performances-como-pesquisa curtas, roteiros em andamento… Todos os membros do grupo de trabalho enviarão uma versão preliminar da sua contribuição (artigo/roteiro/documentação em vídeo/projeto digital) para os organizadores, até no máximo um mês antes do Encuentro. Nós disponibilizaremos esses trabalhos para todos os membros, e os organizaremos em apresentações de 10-20 minutos, seguidas de comentários e discussão, durante os quatro dias em que trabalharemos juntos durante o Encuentro.

Possíveis temas podem incluir:

  • Performances que desafiam a univocidade da Nova Direita
  • A re-emergência de um patriarcado branco escancarado (machismo/feminicídios/maga)
  • Ataques à diversidade de gênero (e à diversidade em geral)
  • Jornalismo, novas mídias e eleições
  • Novo negacionismo da violência de estado
  • Extrativismo em tempos de austeridade
  • Táticas dissidentes e disruptivas e coreografias de protesto e discurso
  • A performance da cidadania em tempos de neoliberalismo
  • Novas articulações políticas de diferenças raciais
  • Performances de resistência de local específico
  • Recentes cartografias do poder
  • Alianças, solidariedade, coletividade e resistência comunitária
  • Práticas neoliberais "excessivas" na vida cotidiana

Idiomas que xs organizadorxs do grupo falam/entendem:

Inglês, português, espanhol.

Coordenadorxs:

Sérgio Andrade é artista e professor de Dança, Performance e Filosofia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde também coordena o LabCrítica. Tem doutorado e mestrado em Filosofia pela PUC-RJ, mestrado em Artes Cênicas e bacharelado em Dança pela Universidade Federal da Bahia. No ano letivo de  2014-2015, foi professor visitante na New York University, no Departamento de Estudos da Performance e no Instituto Hemisférico. Como artista, trabalhou com projetos de dança, arte performática, intervenção urbana e videoarte no Brasil, na Colômbia e nos Estados Unidos. É coeditor do livro Performar Debates (2017).

Leticia Robles-Moreno é professora visitante no Departamento de Teatro e Dança, Muhlenberg College. Sua pesquisa está focada nos processos de criação coletiva na política e na performance contemporâneas na América Latina. Ela explora como o teatro, a arte e o ativismo, especialmente no caso de mulheres e sujeitos transnacionais, podem construir práticas em rede como estratégia de resistência e sobrevivência. Recentemente, ela tem conectado a pesquisa socialmente comprometida com o artivismo na cidade de Allentown, Pensilvânia (EUA). Seus artigos acadêmicos já foram publicados na Latin American Theatre Review, Contemporary Theatre Review, Conjunto e Hispanic Issues Online. Leticia tem doutorado em Estudos da Performance pela New York University.

Marcos Steuernagel é professor no Departamento de Teatro e Dança da University of Colorado Boulder, onde atua nas áreas de performance e política, teatro brasileiro e latino-americano e humanidades digitais. Coeditou com Diana Taylor o livro digital trilíngue O que são os estudos da performance? (2015) e está escrevendo um livro sobre política e estética no teatro e na dança contemporâneas no Brasil. Tem mestrado e doutorado em Estudos da Performance pela New York University, especialização em Cinema e Vídeo e bacharelado em Artes Cênicas – Direção pela Faculdade de Artes do Paraná.

Patricia Ybarra é professora e chefe do Departamento de Artes Teatrais e Estudos da Performance da Brown University. É autora dos livros Performing Conquest: Five Centuries of Theatre, History and Identity in Tlaxcala, Mexico (Michigan, 2009) e Latinx Theatre in the Times of Neoliberalism (Northwestern, 2017). É coeditora com Lara Nielsen de Neoliberalism and Global Theatres: Performance Permutations (Palgrave Macmillan, 2012; 2014). Recentemente, foi presidente da ATHE e membra fundadora do Grupo de Trabalho Latina/o de ATHE (agora chamado Grupo de Trabalho Latinx, Indígena e das Américas).

Participantes:

  • Amy Carroll
  • Andrés Martínez Ruiz
  • Aniko Szucs
  • Brian Batchelor
  • Carla Beatriz Melo
  • Claudia Calirman
  • Janaina Leite
  • Jennifer Tyburczy
  • Jimena Ortuzar
  • Laura Díaz Galán
  • Maya Wilson-Sanchez
  • Olga Gutiérrez
  • Ricardo Duarte Filho
  • Maria Paula Rodriguez
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