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Animando o fim da proibição: artistas fazendo frente aos desafios da regularização da maconha no México

A partir de 22 de fevereiro de 2019, a proibição absoluta da maconha no México foi declarada inconstitucional pela Corte Suprema de Justiça da Nação e, atualmente, debate-se um projeto de lei no Congresso Nacional para a regularização da canábis. Embora o trabalho legislativo esteja bem encaminhado, está claro que muitos dos desafios apresentados por esta alteração legal residem no âmbito cultural, particularmente na estigmatização sofrida tanto pelos consumidores da maconha quanto pelos camponeses que trabalham no seu cultivo. Um grupo de artistas mexicanos, em colaboração com o Instituto Hemisférico, está desenvolvendo uma campanha que utilizará o humor e a arte para mudar essas percepções e atitudes estigmatizantes, utilizando caricaturas e animações que serão disseminadas na Cidade do México e em todo o país por meio dos sistemas de transporte público e diversas secretarias governamentais.

Convidamos os interessados a um fórum para saber mais sobre os avanços desta campanha, trocar ideias sobre esta importante iniciativa legislativa e refletir sobre o papel dos artistas neste processo.

Biografias

Jesusa Rodríguez (México, 1955) é criadora cênica. De 1980 a 2018, dirigiu e atuou em ópera, teatro e espetáculos de farsa política. Desde dezembro de 2018, é Senadora da República Mexicana. Seu maior sucesso foi, e ainda é, acumular desprestígio. Ganhadora do prêmio de melhor atriz, Montreal, 1989 e do Obie Award, com Liliana Felipe, NY, 2000.

Julio Glockner é antropólogo formado pela Escuela Nacional de Antropología e Historia, é pesquisador do Instituto de Ciências Sociais e de Humanidades da Benemérita Universidad Autónoma de Puebla e cofundador da Escola de Antropologia Social da mesma universidade. Fez colaborações com diversas revistas acadêmicas e livros coletivos sobre temas relacionados à cosmovisão dos povos indígenas do México. Autor de Los volcanes sagrados: Mitos y rituales en el Popocatépetl y la Iztaccíhuatl; La realidad alterada: Drogas enteógenos y cultura; La mirada interior: Plantas sagradas del mundo amerindio e El paraíso barroco de Santa María Tonantzintla.

Zara Snapp tem um mestrado em Políticas Públicas pela Harvard University e é formada em Ciências Políticas pela University of Colorado, em Denver. Cofundadora do Instituto RIA, conselheira do ReverdeSer Colectivo (México) e assessora internacional do Acción Técnica Social (Colômbia), é autora de Diccionario de Drogas, publicado por Ediciones B em 2015.

Jorge Hernández Tinajero é politólogo e internacionalista. Especialista em drogas e suas políticas. A canábis e a papoula estão entre suas inquietações e publicações mais recentes. Sócio fundador da Asociación Mexicana de Estudios de Cannabis (AMECA) e do Colectivo por una Política Integral hacia las Drogas A.C., da qual foi presidente de 2009 a 2015. @elcalamar

Rafael Pineda (Monero Rapé) de Veracruz, México, é cartunista político e animador artesanal. É formado em Comunicação Social pela UAM-X e estudou desenho na École nationale supérieure des Beaux-Arts, em Paris. Atualmente, é diretor da revista El Chamuco e apresentador da Chamuco TV. Desde 2007, publica no Milenio Diario. Rapé é membro de Cartoonists for Peace e Cartónclub Latino. Ganhador do prêmio Gilberto Rincón Gallardo de 2011, finalista do prêmio Gabriel García Márquez pelo documentário animado Sou o número 16 em 2016 e participante do projeto ganhador Buscadores em 2017. Ganhou também o Prêmio Nacional de Jornalismo em 2016; 2º lugar na premiação Walter Reuter em 2017 pela Chamuco TV; e menção honrosa do Prêmio Nacional de Jornalismo em 2017, pelo trabalho coletivo Buscadores.

Diana Taylor é professora de Estudos da Performance e de Espanhol na New York University. Ela é uma autora premiada de diversos livros, dentre eles: Theatre of Crisis (1991) [Teatro da crise], Disappearing Acts (1997) [Desaparecimentos], The Archive and the Repertoire (2003) [O arquivo e o repertório] e Performance (2016). Seu novo livro, ¡Presente! The Politics of Presence [Presente! A política da presença] será lançado em breve pela Duke University Press. Taylor é diretora do Instituto Hemisférico de Performance e Política, o qual ela ajudou a fundar, em 1998. Em 2017, Taylor foi presidente da Modern Language Association e foi recentemente eleita para a American Academy of Arts and Sciences. Em 2018, foi admitida na American Academy of Arts and Science.

Marlène Ramírez-Cancio (Moderadora) é diretora associada de Artes & Mídia no Instituto Hemisférico de Performance e Política. Em sua posição, ela chefia a curadoria e produção dos grandes Encuentros; também faz a curadoria do HIDVL, uma crescente biblioteca de vídeo digital que arquiva e circula o trabalho de artistas politicamente engajados; dirige o EMERGENYC, o programa para artistas emergentes do Hemi, focado em arte e ativismo; iniciou e comanda as residências artísticas do Hemi para artistas locais; e co-criou iniciativas como a Helix Queer Performance Network, voltada para artistas queer e racializados, e incentivando mentoria intergeneracional.