Antonio Prieto Stambaugh: A esponja mutante de Estridentópolis


A esponja mutante de Estridentópolis

A performance é uma esponja mutante que absorve e transforma todas as manifestações das artes cênicas, os movimentos sociais e as teorias socioculturais. Trata-se de uma esponja muito potente que tem a capacidade de fazer barulho para sacudir as estruturas que a rodeiam. No México, sua história está vinculada ao legado do movimento estridentista, que surgiu das cinzas da revolução mexicana para propor a primeira vanguarda clandestina do país. Estridentópolis é o nome dado pelos integrantes do movimento à cidade de Xalapa, Veracruz, quando estiveram refugiados ali na década de 1920. É nos movimentos de exílio político e dissidência artística que a esponja mutante da performance encontra uma vertente da sua genealogia; em comunidades de criadores que resistem à demagogia através do humor crítico. O estridentismo criou um tipo de montagem chamada “Teatro mexicano do morcego”, um espetáculo híbrido que combinava danças folclóricas com sátiras da vida urbana, com personagens que iam desde broncos da roça a dândis “frescos” da cidade. Deste teatro performático do morcego migramos ao pensamento da poeta chicana Gloria Anzaldúa, que inspirou-se no deus morcego da cultura zapoteca para expressar a habilidade que os artistas transfronteiriços têm de olhar o mundo ao contrário.

Biografia

Professor-pesquisador em tempo integral na Faculdade de Teatro e no Centro de Estudos, Criação e Documentação das Artes da Universidad Veracruzana, onde é coordenador do mestrado em Artes Cênicas. Membro do Sistema Nacional de Investigadores do Conacyt, tem especialização em teatro e performance mexicana contemporâneos, com interesse particular em artistas que trabalham as dimensões de gênero, nação, sexualidade e etnia. Tem mestrado em Estudos da Performance da New York University e doutorado em Estudos Latino-Americanos da Faculdade de Filosofia e Letras da UNAM. Editor de quatro livros, dentre eles: Jerzy Grotowski. Olhares da América Latina (Universidad Veracruzana, 2011) e, junto com Elka Fediuk, Corporalidades cênicas. Representações do corpo no teatro, na dança e na performance (Universidad Veracruzana, 2016). É diretor de Investigación Teatral. Revista de artes escénicas y performatividad.

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