Arte-ações de rua: Cartografia (micro)sonora

Curadorxs: Tito Rivas, Jorge David García

Murray Schafer cunhou o conceito de marca sonora para referir-se aos sons “únicos” ou “especiais” que conferem identidade a um determinado espaço. Por exemplo, na Cidade do México, provavelmente seriam consideradas marcas sonoras os sinos da Catedral, o som particular dos vagões do metrô ou o som exotizado – e quase sempre descontextualizado – do arauto, que reafirma o estereótipo turístico do “espírito popular” mexicano.

Mas quem leva em conta os “sons menores” pelos quais o habitante do espaço identifica o seu lugar? Quem abordará as sonoridades “desagradáveis”, instáveis ou simplesmente “pouco interessantes” para o identificador de “símbolos regionais”? Por acaso são apenas os “sons monumentais” ou os “postais coloridos” que conferem identidade a uma comunidade? A partir destas perguntas, esta rota de arte-ação de rua convoca xs interessadxs a realizar intervenções sonoras que ajudem a escutar, mapear e analisar as marcas micro-sonoras que constituem o cotidiano acústico do nosso espaço.

Imagens fragmentadas de uma história de rua

Através de uma série de gravações de músicas populares interrompidas por alguns fragmentos de histórias pessoais, num alto-falante colocado no corpo, procura-se encorajar as pessoas a escutar e acompanhar esse personagem sonoro e estranho num contexto de rua absurdo, violento e cotidiano, fragmentos sobre quem somos.

Biografia

Alba Cadena Roldan é uma artista visual interdisciplinar colombiana cuja obra explora a videoarte, performance e escrita a partir de conceitos como corpo, violência e cura em contextos pessoais e comunitários. Mestranda em Artes na Escola de Artes da ASAB.

Alba Cadena Roldan: Imagens fragmentadas de uma história de rua

Canções ao desenvolvimento

Desenvolvimento urbano: a atividade mais poluente em todos os continentes. O mais aterrorizante é que a maioria da população concentra-se em centros urbanos e segue vinculada ao que esses lugares oferecem. Levemos nossos corpos à rua, emanando canções para o desenvolvimento, para que a gente escute cautelosamente o que é a real natureza humana.

Biografia

Alejandro Chellet é um artista multidisciplinar em redes culturais e permaculturais em Upstate NY/NYC/CDMX. Usa dejetos, espaço público, arquitetura e performance para falar dos princípios extraviados de coexistência, da perda de conexão com os ciclos da natureza em contextos políticos e ambientais das sociedades urbanas.

Alejandro Chellet: Canções ao desenvolvimento

MIGRANTES SILENCIOSOS: carro, alto-falante – centro de informações

O México concentra famílias de migrantes de extração popular, muitos afrodescendentes da América Central e do Caribe. Eles pedem ajuda para continuar rumo ao norte, onde não são bem-vindos. Com depoimentos diretos dos migrantes, trabalhamos sensibilizando a população a apoiá-los, difundindo suas vozes obtidas através de entrevistas.

Biografia

Álvaro Villalobos é um artista membro do SNI-CONACYT, México. O seu trabalho consiste em pesquisas, performances e instalações sobre problemas sociais e políticos. Trabalha com os artistas Yuri Aguilar e Luis Serrano do Grupo de Investigación Acción Interdisciplinaria sobre Arte y Entorno (GIAE), na Pós-graduação em Arte da Faculdade de Artes e Desenho, UNAM.

Álvaro Villalobos: MIGRANTES SILENCIOSOS: carro, alto-falante – centro de informações

Frequência ocupada. Foto fornecida pelx artista.

Frequência ocupada


Frequência ocupada é uma intervenção na paisagem sonora da vida cotidiana que emprega a rádio para explorar a relação entre comunicação, comunidade e o comum.

Biografia

O Colectivo Surco é um grupo transnacional composto por pesquisadores, comunicadores de rádio e artistas vinculados à organização Servicios Universitarios y Redes de Conocimientos de Oaxaca, S.A. (SURCO) e envolvidos em atividades de pesquisa colaborativa com povos indígenas, movimentos sociais e experimentos de educação alternativa.

Colectivo SURCO: Frequência ocupada

StereoMono. Foto fornecida pelxs artistas.

StereoMono

Algo está acontecendo. Chamamos essa ação de improviso, técnicas que instalam o imprevisto; alternativas às repetições de gestos previsíveis e responsividade. Encontramos pedestres usando fones de ouvido e pedimos emprestado um minuto da música deles. A partir deste compartilhamento instantâneo, nasce a dança desse encontro.

Biografia

No Laboratório de Ensaios e Imprevistos (Lab.Ei), com sede em Florianópolis, Brasil, investigamos as interseções entre dança e filosofia através da produção de eventos e processos interdisciplinares, unindo teoria e ação. Preocupamo-nos com o invisível compartilhado (o intangível-sensível), coreografias que são condições permissivas para invocar a sintonia de afetos.

Lab.Ei: StereoMono

Organegreros. Foto fornecida pelx artista.

Organegreros

A performance explora as variantes da máscara e suas aplicações, numa correlação com os esforços pós-coloniais. Máscaras e/ou mascaramento do corpo remetem à problemática histórica, incluindo, mas não se limitando a, rituais sociais de escárnio na forma de vergonha pública, práticas etnológicas e assimilação.

Biografia

Marton Robinson (Costa Rica/EUA) pesquisa modos de comunicação e tradução, de história e cultura, que desafiam as representações e pressupostos da cultura popular. O trabalho de Robinson expõe as nuances presentes na experiência afro-latina, enriquecendo o discurso crítico das obras contemporâneas da diáspora africana.

Marton Robinson: Organegreros

Cartografias do crack

Este projeto tem a intenção de modificar as noções sociais que cercam a pedra (bazuco ou crack), utilizando o comércio itinerante como ponte de discurso. Através de uma turnê, uma peça sonora é exposta e folhetos são distribuídos sobre a experiência do habitante de rua com a pedra, bem como uma instrução cáustica.

Biografia

Miguel Ángel González Merchán é um artista colombiano que usa a arte como desculpa para alcançar reflexões relacionadas à identidade e ao poder. Tenta fissurar o contexto através da sátira. Sua linha de trabalho é baseada na desconstrução da identidade a partir de uma perspectiva sociopolítica. Trabalha atualmente como assistente de produção na PerfoArtNet.

Miguel Angel González Merchán: Cartografias do crack

Ar morto. Foto fornecida pelx artista.

Ar morto

Ar morto constrói performances a partir da distribuição de ondas de rádio locais. Caminhando ao longo das fronteiras em busca de frequências específicas, eu espalhei os sons do ambiente imediato ao vivo. Receptores na área, bem como rádios de carros e das casas, captam a transmissão e criam um breve concerto de gravações de campo, ruídos e feedback.

Biografia

Mitchell Oliver é um artista que usa imagem em movimento, som, instalações e performance para afirmar o valor da experiência duracional e incorporada como métodos de existência crítica. Criado no sudeste dos EUA, Mitchell exibe sua obra em refrigeradores, festivais de cinema, livros, florestas, lixões, museus e desertos pela América do Norte.

Mitchell Oliver: Ar morto

Day for night: a noite mexicana. Foto fornecida pelo artista.

Day for night: a noite mexicana

“Day for night” é uma técnica cinematográfica tradicional que permite gravar cenas noturnas durante o dia, e isso até inspirou um filme Truffaut: “The American Night”. Neste app-performance, o artista compartilhará sons que caracterizam a vida noturna LGBT do CDMX. A ação será feita durante o dia, via WhatsApp.

Biografia

Rodrigo Arenas-Carter é um artista e escritor migrante, mestre em Literatura. Obteve bolsas de estudo como Fondart-Chile, Residency for the ‘Migrant Experience’ (Canadá) e Experimenta/Sur. Em 2018, seu livro La Vital Precariedad. Poesía y Performance en América Latina y Chile (A precariedade vital: Poesia e performance na América Latina e Chile) foi publicado na Europa pela EAE.

Rodrigo Arenas-Carter: Day for night: a noite mexicana

Tamales Aturquezados. Foto fornecida pela artista.

Tamales Aturquezados

Tamales Aturquezados é parte de Aturquesada, um projeto com base em performance no qual eu vendo e/ou troco vários objetos de cor turquesa em espaços públicos onde há a presença de atividades econômicas informais. Enquanto “atuo” nesta intervenção artística, eu envolvo o público numa conversa para negociar o valor dos tamales aturquezados.

Biografia

soJin Chun é uma artista visual domiciliada em Toronto. Sua obra explora as narrativas que emergem entre culturas, influenciada por suas experiências vivendo na diáspora coreana na Bolívia e Canadá. Através de residências artísticas internacionais, exibições e mostras de cinema, Chun tem compartilhado a sua obra em vídeo, instalação e performance.

soJin Chun: Tamales Aturquezados

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