Descrição:

Buscamos intervenções artísticas ou pedagógicas e análises críticas de textos culturais que usam o cabaré como método. Convidamos artistxs, acadêmicxs, organizadorxs comunitárixs e outrxs que usem métodos de cabaré, incluindo, mas não exclusivamente: variedade, sátira, urgência, risco, conhecimento distribuído, palco compartilhado, fabulosidade e provocação dentro e fora do palco. À luz do tema do Encuentro deste ano, poderemos refletir particularmente sobre “a estratégia de justaposição do humor e do sóbrio” (Gutierrez, 2010), usada com grande sucesso por artistas de cabaré para analisar as ideias sérias do momento.

Coordenamos este grupo de trabalho para abrir a discussão sobre o cabaré como um momento translocal contínuo, no qual “as minorias sexuais, raciais e econômicas reagem contra o sujeito individualista exemplar moderno, cultivando, ao invés, culturas táticas de colaboração, recursos compartidos e coalisões políticas” (Cowan 2015). Além disso, esperamos que este grupo de trabalho nos permita desenvolver uma genealogia translocal do cabaré político nas Américas, uma genealogia que é frequentemente ignorada em favor de uma nostalgia pelo cabaré artístico europeu do final do século XIX e dos tempos de guerra.

Descrição do formato ou estrutura:

O grupo será organizado com base nos interesses dxs participantes. Esperamos explorar o que significa o cabaré como prática performática e como um conjunto de táticas e métodos portáteis e multiplataforma que continuam sendo fundamentais para os movimentos de protesto, a organização em redes sociais e como modalidade de ensino, pesquisa, produção e transferência de conhecimento.

Neste grupo de trabalho, xs participantes discutirão suas experiências com o uso dos métodos do cabaré dentro e fora do palco (na performance, na sala de aula, em suas pesquisas, nas ruas). Cada participante terá a oportunidade de discutir o seu trabalho e receber comentários do grupo. Nos últimos dias, podemos decidir, em grupo, criar algo juntos: uma performance, uma intervenção urbana, um trabalho de pesquisa, um manifesto, ou talvez tudo isto!

Questões que gostaríamos de abordar no grupo de trabalho (lista não exaustiva):

  • O que é o cabaré para você? O que é o cabaré onde você mora/atua?
  • O que o cabaré lhe permite fazer, onde você atua?
  • Você acha que o cabaré é uma tática de conscientização/pedagogia política?
  • Existe uma ‘metodologia de cabaré’? Neste caso, como e onde ela se mobiliza além do palco?
  • Se existe uma teoria do cabaré, o que isso significa para você?
  • Quais são algumas limitações do cabaré? Como o cabaré recebe uma má reputação?
  • Como o cabaré difere de um local para o outro?
  • Como o cabaré torna-se político? Ou é sempre político?
  • Sob que condições o cabaré torna-se um método de organização?
  • Como a análise / o método / a prática do cabaré influenciam diversas categorias de performance e teatro, como variedades, humor/sátira e performance política?
  • O que significa quando ‘cabaré’ significa coisas diferentes em diferentes contextos?
  • Como podemos traduzir a prática / o método / a teoria do cabaré? O cabaré é portátil?
  • Como o cabaré atua além do palco / do teatro / do bar?
  • Como o trabalho e a pedagogia acadêmica poderiam também empregar a " metodologia do cabaré"?
  • Quais são os modos de teorizar, destacar ou sinalizar a metodologia do cabaré como transdisciplinar, interdisciplinar, intradisciplinar ou antidisciplinar quando teorizamos o cabaré dentro de um histórico e de uma prática ‘disciplinar’ mais ampla de Estudos da Performance ou Estudos do Ativismo e/ou quando usamos este método para interagir com outros objetos / locais / cenários / corpos de pesquisa?

Idiomas que xs coordenadorxs do grupo falam/entendem:

Espanhol, inglês, português, francês (entendem).

Coordenadorxs:

Laura G. Gutiérrez é Professora Associada de Performance Latinx e Estudos de Cultura Visual no Departamento de Estudos Mexicanxs-Americanxs e de Estudos Latinxs na University of Texas, em Austin. O seu livro Performing Mexicanidad: Vendidas y Cabareteras on the Transnational Stage (2010) ganhou o IX Prêmio Anual da MLA na categoria de Estudos Literários e Culturais Latinxs e Chicanxs. Gutiérrez já publicou ensaios e capítulos de livros sobre temas como: a arte performática latina e mexicana, a arte fronteiriça, a videoarte e o cabaré político. Ela está atualmente concluindo uma monografia sobre pânicos raciais e sexuais nos meados do século XXI no México através de uma leitura de filmes da época. A sua pesquisa sobre o cabaré político mexicano também produzirá um histórico cultural do gênero.

T.L. Cowan é Professora Assistente de Estudos de Mídia no Departamento de Artes, Cultura e Mídia (UTSC – Univerity of Toronto Scarborough) e da Faculdade de Informação (iSchool) da University of Toronto. Seus recentes ensaios foram publicados em Women & Performance (2018), Liminalities (2016) e More Caught in the Act: An Anthology of Performance Art by Canadian Women (2016). Cowan está atualmente concluindo uma monografia, Transmedial Drag: Cross-Platform Cabaret Methods e desenvolvendo dois projetos online: The Cabaret Commons Digital Platform e Digital Research Ethics Collaboratory.  T.L. é também uma artista de cabaré, talvez mais conhecida pelo seu alter ego, a Sra. Trixie Cane. tlcowan.net

Participantes:

  • Carina Guzman
  • Cecilia Sotres
  • Christina Baker
  • Christina Streva
  • David Tenorio
  • Fabián Céspedes
  • Fernanda Souza
  • Eduardo Fajardo
  • Juliana Fadil Luchkiw
  • Mark Sussman
  • Martha Toriz-Proenza
  • Nora Isabel Huerta Huajardo
  • Pako Reyes
  • Stephen Lawson
  • Vicente Leite Filho
  • Yecid Calderón Rodelo
  • Maria Paz Valenzuela Silva
  • Rosanne Sia
  • Liliana Ramírez
  • Bretton White
  • Gisela Martinez
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sexta-feira, 26 abril 2019 17:59

Joshua Chambers-Letson

Joshua Chambers-Letson é professor associado de Estudos da Performance na Northwestern University. Ele é o autor de After the Party: A Manifesto for Queer of Color Life (Depois da festa: um manifesto pela vida dxs queer de cor) (NYU Press, 2018) e A Race So Different: Law and Performance in Asian America (de Uma corrida tão diferente: a lei e a performance na América asiática) (NYU Press, 2013). Ele está atualmente trabalhando com Tavia Nyong’o para preparar a obra The Sense of Brown, de José Esteban Muñoz, para publicação pela Duke University Press.

CDMX, México. 15 de junho de 2019.

Ver a mesa redonda com Joshua Chambers-Letson aqui.

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sexta-feira, 26 abril 2019 17:59

Petrona de la Cruz Cruz

There is no translation available.

Petrona de la Cruz is co-founder of Fortaleza de la Mujer Maya (FOMMA) with Isabel Juárez Espinosa. She has achieved international recognition for her work. Her play, Una mujer desesperada was produced in 1993 in San Cristóbal as part of International Women’s Day and has been published in Holy Terrors: Latin American Women Perform (Duke University, 2003). She has also participated in diverse acting and directing workshops in the United States with Doris Difarnecio, Amy Trompetter, and Paty Hernandez. She is currently a board member of the Hemispheric Institute of Performance and Politics.

CDMX, Mexico. June 14, 2019.

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sexta-feira, 26 abril 2019 17:58

Lilian Mengesha

Lillian Mengesha é diretora, dramaturga e professora assistente de Estudos de Raça e Performance no Departamento de Teatro, Dança e Performance da Tufts University. Sua pesquisa se concentra na performance indígena contemporânea na América do Norte e Central, particularmente na arte que aborda os legados da violência contra as mulheres. Em seu trabalho de performance, seu objetivo é criar escalas temporais de memória legíveis, medidas através da diferença social e ecológica, como em "manifestroom" (2014), "uma emoção é um sinal de que algo mudou" (2016) e seu projeto atual que se concentra na história do oceano.

CDMX, México. 12 de junho de 2019.

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sexta-feira, 26 abril 2019 17:58

Donna Kaz

Donna Kaz é uma performer, ativista, autora e líder feminista em temas sobre a mistura do ativismo com a arte. Nos últimos 20 anos, tem comprovado que as feministas são divertidas com o seu trabalho Guerrilla Girls On Tour (Meninas da guerrilha em turnê). Seu novo e-book PUSH/PUSHBACK: 9 Steps to Make a Difference with Activism and Art (PUSH/PUSHBACK: 9 passos para fazer a diferença com o ativismo e a arte) está disponível em: ggontour.com. donnakaz.com | @guerrillagsot @donnakaz

CDMX, México. 12 de junho de 2019.

Ver a conferência de Donna Kaz aqui.

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sexta-feira, 26 abril 2019 17:58

El Ciervo Encantado

Nelda Castillo fundou El Ciervo Encantado em Havana em 1996, criando um espaço de laboratório e intercâmbio, onde a descoberta e a criação de interessantes vínculos entre teatro, artes visuais, música, literatura, dança, pesquisa teórica, etc. são estimuladas. Graças a este constante cruzamento de conhecimentos, a obra de El Ciervo Encantado se conecta com diferentes espaços de promoção da arte e da cultura e não se enquadra em qualquer classificação.

CDMX, México. 14 de junho de 2019.

Ver a performance de El Ciervo Encantado aqui.

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sexta-feira, 26 abril 2019 17:57

Antonio Prieto

Professor-pesquisador em tempo integral na Faculdade de Teatro e no Centro de Estudos, Criação e Documentação das Artes da Universidad Veracruzana, onde é coordenador do mestrado em Artes Cênicas. Membro do Sistema Nacional de Investigadores do Conacyt, tem especialização em teatro e performance mexicana contemporâneos, com interesse particular em artistas que trabalham as dimensões de gênero, nação, sexualidade e etnia. Tem mestrado em Estudos da Performance da New York University e doutorado em Estudos Latino-Americanos da Faculdade de Filosofia e Letras da UNAM. Editor de quatro livros, dentre eles: Jerzy Grotowski. Olhares da América Latina (Universidad Veracruzana, 2011) e, junto com Elka Fediuk, Corporalidades cênicas. Representações do corpo no teatro, na dança e na performance (Universidad Veracruzana, 2016). É diretor de Investigación Teatral. Revista de artes escénicas y performatividad.

CDMX, México. 12 de junho de 2019.

Ver a conferência de Antonio Prieto-Stambaugh aqui.

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Desespero & nojo vs integridade & sabedoria: um jogo em 7 atos

Samuel Beckett conta a história de alfaiate que leva semanas para fazer uma calça, enquanto deus precisou de apenas seis dias para criar o mundo. Qual ficou melhor? Pode a arte performar melhor que a natureza? Quais são as possibilidades para milhares de espécies, incluindo as nossas, no Antropoceno? Teriam os artistas poderes e responsabilidades especiais para transformar atitudes e comportamentos? Em um nível tanto pessoal quanto sócio-político, existe motivo para otimismo quando a escolha é entre desespero e nojo versus integridade e sabedoria?

Biografias

Richard Schechner é editor da TDR, autor, diretor teatral e professor emérito de Estudos da Performance, NYU. Seus livros incluem Environmental Theater (Teatro ambiental), Performance Theory (Teoria da performance), Between Theater and Anthropology (Entre o teatro e a antropologia), The End of Humanism (O fim do humanismo), The Future of Ritual (O futuro do ritual), Performed Imaginaries (Performance de imaginários), and Performance Studies: An Introduction (Estudos da performance: uma introdução). Foi diretor de produção do Free Southern Theater e fundou The Performance Group. Já dirigiu teatro, conduziu oficinas, lecionou e palestrou nas Américas, Europa, Ásia, África e Austrália.

Didanwy Kent Trejo (Apresentadora) tem doutorado e mestrado pelo programa de Pós-graduação em História da Arte da UNAM. Atualmente, trabalha em tempo integral como professora na Escola de Literatura Dramática e Teatro da Faculdade de Filosofia e Letras da UNAM. É tutora nos programas de Pós-graduação de Música e de Artes e Design da UNAM, e no programa de Pós-graduação em História da Arte. Seus temas de interesse de pesquisa têm girado em torno das diversas manifestações das artes cênicas, em particular a ópera, o teatro e a performance, bem como as práticas sociais e artísticas contemporâneas.

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A esponja mutante de Estridentópolis

A performance é uma esponja mutante que absorve e transforma todas as manifestações das artes cênicas, os movimentos sociais e as teorias socioculturais. Trata-se de uma esponja muito potente que tem a capacidade de fazer barulho para sacudir as estruturas que a rodeiam. No México, sua história está vinculada ao legado do movimento estridentista, que surgiu das cinzas da revolução mexicana para propor a primeira vanguarda clandestina do país. Estridentópolis é o nome dado pelos integrantes do movimento à cidade de Xalapa, Veracruz, quando estiveram refugiados ali na década de 1920. É nos movimentos de exílio político e dissidência artística que a esponja mutante da performance encontra uma vertente da sua genealogia; em comunidades de criadores que resistem à demagogia através do humor crítico. O estridentismo criou um tipo de montagem chamada “Teatro mexicano do morcego”, um espetáculo híbrido que combinava danças folclóricas com sátiras da vida urbana, com personagens que iam desde broncos da roça a dândis “frescos” da cidade. Deste teatro performático do morcego migramos ao pensamento da poeta chicana Gloria Anzaldúa, que inspirou-se no deus morcego da cultura zapoteca para expressar a habilidade que os artistas transfronteiriços têm de olhar o mundo ao contrário.

Biografia

Professor-pesquisador em tempo integral na Faculdade de Teatro e no Centro de Estudos, Criação e Documentação das Artes da Universidad Veracruzana, onde é coordenador do mestrado em Artes Cênicas. Membro do Sistema Nacional de Investigadores do Conacyt, tem especialização em teatro e performance mexicana contemporâneos, com interesse particular em artistas que trabalham as dimensões de gênero, nação, sexualidade e etnia. Tem mestrado em Estudos da Performance da New York University e doutorado em Estudos Latino-Americanos da Faculdade de Filosofia e Letras da UNAM. Editor de quatro livros, dentre eles: Jerzy Grotowski. Olhares da América Latina (Universidad Veracruzana, 2011) e, junto com Elka Fediuk, Corporalidades cênicas. Representações do corpo no teatro, na dança e na performance (Universidad Veracruzana, 2016). É diretor de Investigación Teatral. Revista de artes escénicas y performatividad.

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O enigma do 4T: contra o ódio, humor

“Qual será o portento, de tão nobre qualidade, que é com olhos cegueira e, sem a vista, entendimento?”
-Sor Juana Inés de la Cruz

A palestra gira em torno da resistência à mudança e da possibilidade de enfrentar entre todxs uma nova realidade de igualdade e justiça no México.

Biografias

Jesusa Rodríguez (México, 1955) é uma criadora cênica. De 1980 a 2018, dirigiu e atuou em espetáculos de ópera, teatro e farsa política. Desde dezembro de 2018, é Senadora da República Mexicana. Seu maior sucesso foi, e ainda é, acumular desprestígio. Ganhadora do prêmio melhor atriz no Festival das Américas em Montreal, 1989, e do Obie Award, no ano 2000 na cidade de Nova Iorque, junto com Liliana Felipe.

Arturo Chávez López (Apresentador) é Sociólogo com estudos de doutorado na Faculdade de Ciências Políticas e Sociais da UNAM (FCPS-UNAM), tem um mestrado em Sociologia Política pelo Instituto “Dr. José María Luis Mora” e é formado em Sociologia pela FCPS-UNAM. É professor em tempo integral do Centro de Estudos Sociológicos e, atualmente, Secretário Geral da FCPS-UNAM. Já desempenhou os cargos de Chefe da Divisão de Estudos Profissionais e de Coordenador do Centro de Estudos Sociológicos. Suas linhas de pesquisa incluem: Sociologia Política e Jurídica, Teoria Sociológica e Metodologia em Ciências Sociais.

Diana Taylor (Apresentadora) é professora nos departamentos de Estudos da Performance e Espanhol na NYU. Ela é autora dos premiados Theatre of Crisis [1991] (Teatro da crise), Disappearing Acts [1997] (Desaparecimentos), The Archive and the Repertoire [2003] (O arquivo e o repertório) e Performance (2016). Seu novo livro, ¡Presente! The Politics of Presence [Presente! A política da presença] será lançado em breve pela Duke U.P. Taylor fundou o Instituto Hemisférico de Performance e Política, do qual é diretora, em 1998. Em 2017, ela serviu como presidente da Modern Language Association (MLA) e foi recentemente eleita para a American Academy of Arts and Sciences. Em 2018, foi admitida na American Academy of Arts and Science.

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