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02 Descolonizando a memória, desestabilizando ludicamente o tempo e o espaço

Descrição:

O grupo de trabalho Descolonizando a memória oferece um espaço interdisciplinar e transnacional onde se questionará os estudos da memória e a necessidade de recontextualizar esse campo de estudos. O objetivo principal é problematizar a tendência, tanto dentro como fora do meio acadêmico, de pensar sobre a memória e sua jornada através do tempo e do espaço de modos que não ultrapassam as categorias e limites geográficos (Oriente, Ocidente, Sul Global, Norte Global) e temporais (passado-presente-futuro) pré-estabelecidos. Inspirados pela reviravolta temporal que as teorias feministas e queer têm dado recentemente, o nosso grupo pretende refletir sobre as modalidades não-modernas de aferrar-se ao tempo, a fim de contemplar diferentes modos de abordar a memória e o seu legado. Reunindo ativistas, artistas e pesquisadorxs acadêmicos que trabalham com a memória, este grupo busca a subversão das categorias de tempo e espaço, recuperando/centralizando o lúdico, o irônico e o carnavalesco dentro das práticas de comemoração de passados difíceis.

Analisando os desafios apresentados em colóquios aparentemente incomensuráveis com memórias e experiências do passado, presente e futuro, este grupo de trabalho busca criar conexões duráveis e colaborativas entre acadêmicxs, ativistas e artistas. Ao questionar “Como podemos falar em “descolonização da memória” através do humor, do barulho, da risada, do carnaval e da performance através das disciplinas, geografias e períodos?” Esta plataforma interdisciplinar desestabiliza itinerários pré-determinados da memória e reage às concepções normativas de temporalidade e hereditariedade. Ela busca destacar a presença do Agora no encontro com o passado e o potencial que esse encontro pode representar.

Formato ou estrutura:

Este grupo de trabalho adotará a seguinte estrutura:

  • Dias 1-2: Introdução sobre os objetivos do grupo de trabalho e apresentação dxs participantes. Breve exposição sobre o trabalho de cada participante durante os primeiros dois dias (até 10 pessoas por dia).
  • Dias 3-4: Atividades em grupo, nas quais abordaremos – por meio de discussões e dinâmicas participativas – cronologias históricas e espacialidades da lembrança dos nossos países foco e o desmantelamento da ordem oficial para propor rotas/possibilidades históricas diferentes.
  • Dia 5: Uma rota carnavalesca de Memória, focada no estudo dos atos de violência contra movimentos de dissidência política, particularmente a comemoração do 2 de outubro de 1968, o dia da Matança de Tlatelolco, na Cidade do México. Começaremos pelo Memorial às vítimas de Tlatelolco na Plaza de las Tres Culturas e seguiremos uma rota por locais politicamente carregados que funcionam como espaços de mobilização social para refletirmos sobre como o nosso dia a dia pode converter-se em um foco de convergência para reviver e conectar o passado aos eventos de violência e desaparições do presente (Os 43), mesmo que esse passado não tenha sido vivido pelas gerações mais jovens.

Idiomas que xs organizadorxs do grupo falam/entendem:

Inglês e espanhol.

Coordenadorxs:

Daniella Wurst é uma doutoranda no Departamento de Culturas Latino-americanas e Ibéricas na Columbia University. Sua tese analisa a fotografia, o teatro documental e a literatura da pós-geração, focando-se nas tensões presentes em Práticas Culturais de Memória na Argentina, Chile e Peru.

Dilara Çalışkan é uma doutoranda no Centro de  Estudos do Holocausto, Genocídio e Memória, do Departamento de Antropologia da University of Illinois em Urbana-Champaign.  Ela é também bolsista do Centro de Estudos sobre as Diferenças Sociais na Columbia University e trabalha com as relações entre as afinidades queer e as modalidades não-normativas e intergeracionais de transmissão da memória. Desde 2010, tem estado envolvida com a LGBTI Solidarity Association, que visa particularmente defender os direitos transgêneros e lutar contra a criminalização dxs trabalhadorxs sexuais e pelo reconhecimento do seu trabalho.

Noni Carter é uma autora e doutoranda, atualmente cursando o quarto ano de Literatura Franco-Caribenha na Columbia University. A sua tese de doutorado aborda tanto o período Iluminista quanto o estilo contemporâneo da literatura franco-caribenha, onde se questiona a escravidão e suas representações em várias expressões culturais, incluindo a literatura, suas dimensões de gênero e as modalidades simbólicas e concretas de violência nelas envolvidas. 

Manuela Badilla Rajevic está atualmente cursando um doutorado em Sociologia na The New School for Social Research. A sua tese explora a interseção do projeto da memória pública, dos movimentos sociais e das gerações pós-conflito no Chile. O seu ensaio 'O Dia do Jovem Combatente, lutas intergeracionais no campo da memória da pós-ditadura no Chile' foi publicado online no Memory Studies Journal.

Marianne Hirsch ensina Literatura Comparada e Estudos de Gênero na Columbia University, onde é diretora do Centro de Estudos sobre a Diferença Social. Suas publicações recentes incluem: The Generation of Postmemory; Ghosts of Home: The Afterlife of Czernowitz in Jewish Memory com Leo Spitzer; co­ed. e­misférica “The Subject of Archives” e Rites of Return.

Participantes:

  • Alberto Gomez
  • Beshouy Botros
  • Brenda Garcia
  • Charlotte Gartenberg
  • Cole Rizki
  • Dasha Chapman
  • Diana Delgado-Ureña
  • Diana Raznovich
  • Dot Tuer
  • Emilia Yang
  • Isabel Dominguez Seoane
  • Itza Varela Huerta
  • Jamie Lee
  • Jarula Wegner
  • Jeannine Murray-Román
  • Maite Malaga
  • Mirta Kupferminc
  • Mya Dosch
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