05 Do relajo à rejeição: resistência ao extrativismo; performance de oposição

Descrição:

Este grupo de trabalho interdisciplinar convida ativistas, acadêmicxs, artistas, organizadorxs comunitárixs e trabalhadorxs culturais a explorar estratégias coletivas de resistência ao extrativismo. Enquanto o extrativismo refere-se comumente à lógica de reduzir a natureza a mercadorias e a resultante hiper-exploração1 das indústrias de minas, petróleo e gás, nós adotamos a linha de Leanne Betasamosake Simpson, pesquisadora Michi Saagiig Nishnaabeg, de que o extrativismo é, de fato, ideologicamente fundamental ao colonialismo e ao capitalismo em suas formas endêmicas.2


1 Gómez-Barris, Macarena. The Extractive Zone: Social Ecologies and Decolonial Perspectives. Durham & London: Duke University Press, 2017. 29.

2 http://www.yesmagazine.org/peace-justice/dancing-the-world-into-being-a-conversation-with-idle-no-more-leanne- simpson


A narração, a performance e a cultura visual são igualmente vitais para a perpetuação das ideologias extrativistas e sua resistência. Desde as histórias de ‘responsabilidade social corporativa’ contadas pelas elites da indústria mineira para acalmar os acionistas da companhia, a mobilizações performáticas de protesto, este grupo de trabalho examinará como é narrado, interpretado e representado o (anti)extrativismo. Com isso, visamos ampliar a nossa compreensão das táticas de representação do extrativismo – e expandir a nossa capacidade de resistir a elas – de diversas formas: desde a atuação performática do relajo3 até os atos de rejeição. Ao observar como as lógicas do extrativismo têm sido afetadas e questionadas por meio da sátira, do deboche e da denúncia jubilosa, buscamos fortalecer nossa capacidade de rejeitar, resistir e reimaginar criativamente este paradigma.

Formato ou estrutura:

Este grupo de trabalho enfocará os métodos colaborativos, explorando o tema do (anti)extrativismo e como podemos trabalhar juntxs na resistência. Inspirando-se nas “consultas comunitárias” ou nos referendos comunitários, destacaremos a ideia da consulta comunitária. Nas regiões afetadas por projetos de extração de recursos, frequentemente há consultas comunitárias em que cada membro da comunidade tem o direito de votar se permite que o projeto seja executado. Esta tomada de decisões por consenso está consagrada na UNDRIP4 e tem tido sucesso em certos contextos. Muito frequentemente, porém, isso é visto como não vinculante e as companhias multinacionais de extração continuam operando com impunidade e sem licença social.

Nas nossas sessões iniciais, veremos vários estudos de caso, examinando diversas formas de (anti)extrativismo. Em seguida, trabalharemos colaborativamente para criar uma intervenção pública de local específico, determinada pelxs participantes do grupo de trabalho, experimentando em primeira mão com a participação de atores não estatais e o papel das intervenções criativas para contestar o poder da indústria extrativa. Nossas leituras e debates também levarão em conta os aspectos extrativos da pesquisa em si, ao tempo em que exploramos novas formas de trabalhar juntxs na resistência ao extrativismo em todas as suas formas, desde a mina até a universidade.

Idiomas que xs organizadorxs do grupo falam/entendem:

Inglês, espanhol, francês


3 Portilla, Jorge. Fenomenología del Relajo. Mexico City: Fondo de Cultura Económica, 1986.

4 United Nations Declaration on the Rights of Indigenous Peoples https://www.un.org/development/desa/indigenouspeoples/declaration-on-the-rights-of-indigenous-peoples.html


Coordenadorxs:

Merle Davis é uma pesquisadora de origem europeia que aborda o tema do território tradicional dos povos mississaugas do Credit River, Petun, Huron-Wendat e Seneca. Colabora com a Mining Injustice Solidarity Network (MISN). Sua pesquisa de mestrado na York University sobre Estudos de Ciências e Tecnologia enfoca a extração de recursos e o paradigma extrativo. Merle atualmente está explorando métodos de pesquisa que resistam ao paradigma extrativo no meio acadêmico.

Zoë Heyn-Jones é pesquisadora, artista, educadora e trabalhadora cultural de origem europeia e desconhecida, que cresceu na terra Saugeen Ojibway em Ontário (Canadá) e na terra Tz'utujil/Kaqchikel Maya na Guatemala. Zoë está atualmente cursando um doutorado em Artes Visuais na York University e é bolsista no CERLAC (Centre for Research on Latin America and the Caribbean), pesquisando a performance do ativismo solidário na Guatemala e no Canadá. Pretende aprofundar este trabalho como bolsista de pós-doutorado no Canadian Consortium on Performance and Politics in the Americas em 2018-19.

Laura Levin é artista e pesquisadora de origem europeia e professora associada de Estudos Teatrais e Performance na York University. É editora de Theatre and Performance in Toronto e Conversations Across Borders (com Guillermo Gómez-Peña); coeditora de Performance Studies in Canada (com Marlis Schweitzer) e autora de Performing Ground: Space, Camouflage, and the Art of Blending In. A sua pesquisa atual enfoca a performance e a cultura política, a intervenção urbana de local específico, a performance e as mídias digitais. É copesquisadora do Canadian Consortium on Performance and Politics in the Americas.

Kimberly Richards é pesquisadora de origem européia no território tradicional da Confederação Blackfoot. Ela é doutoranda em Estudos de Performance na University of California em Berkeley e recebeu a bolsa Edward Hildebrand Graduate Fellowship em Estudos Canadenses. Sua pesquisa lida com uma série de práticas performativas em torno das fronteiras do petróleo, onde as dimensões políticas do petróleo são negociadas, as ideologias extrativistas são encenadas e as táticas teatrais são usadas para impedir a expansão do petro-imperialismo. Atualmente, ela é co-editora do volume sobre extrativismo em culturas de performance canadenses da Canadian Theatre Review.

Participantes:

  • Alana Dunlop
  • Dana Prieto
  • Cordelia Istel
  • Gabriela Jimenez
  • Helene Vosters
  • Jarvis Brownlie
  • Roewan Crowe
  • Selena Couture
  • Syndey Lang
  • Valerie Frappier
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