06 Gêneros, sexualidades e outras piadas: práticas corporais para debochar do poder

Descrição:

Convidamos xs interessadxs a pensar/utilizar o riso como tática de resistência e subversão dos limites discursivos e materiais que autorizam e excluem determinados corpos e subjetividades. Nos aproximaremos do uso subversivo do riso como modo de ação para o ativismo trans/feminista e queer, como um espaço para a realização do desejo de multiplicidade, e uma proposta de abordar o conhecimento através da incorporação triunfal da festa. (Kirkwood 1982).

De fato, a experiência de ações de protesto corpolítico de mulheres e coletivos feministas de direitos humanos e expressões de ativismo trans/feminista e queer na América Latina nos ensina que o humor tem servido para resistir, sobreviver, transgredir e pincelar com ironia e inteligência situações densas e de risco de vida.

Como romper quadros regulatórios e restituir a propriedade sobre o corpo em contextos em que a possibilidade de libertá-lo é arrebatada? Como escamotear o peso da ontologia e dinamitar as expectativas de identidades substanciais? Quais as vantagens da performance como prática corporizada? Quais as oportunidades éticas e políticas advindas da reorganização paródica e subversiva do corpo? Como pode o riso traduzir a consciência e a experiência do não-heteronormativo dominante? Quais os repertórios para o riso? Com que táticas se pode mudar o corpo do pânico para o risonho/tosco/subversivo?

O nosso objetivo é refletir e experimentar com o uso tático do riso como uma arte de transformar a fragilidade que permite a hábil conjugação entre saber, fazer e saber dizer (De Certeau 2000; Ludmer 1985), um instrumento para pensar outros modos de expressão e resistência política.

Formato ou estrutura:

Começaremos com uma discussão em torno do uso do riso e da paródia como táticas de resistência e transgressão de enquadramentos colonizadores e heteronormativos. Para tanto, revisaremos alguns registros e memórias de ações de arte e de práticas ativistas queer e trans/feministas nas Américas, que tenham usado o humor como mecanismo para desmistificar narrativas hegemônicas do corpo e socavar o poder em contextos de repressão política e patriarcal.

Em seguida, passaremos a uma etapa de experimentação cênica para implementar uma prática coletiva de resistência corporal que leve xs participantes a traduzir suas experiências afetivas em experiências públicas e carnais. O objetivo é transformar o incômodo em ação. Usaremos o humor como dispositivo significante para transtornar a ordem, remover a podridão e ensaiar formas de vida mais vivíveis.

Criaremos uma performance, suscetível de ser replicada, deformada e ampliada em outros contextos de protesto e subversão. Buscamos articular uma revolta de corpos risonhos e indisciplinados, que sacuda a ficção do realismo biográfico-sexual e a seriedade civilizatória da linguagem patriarcal. A perspectiva do corpo como campo de reflexão-ação é também um convite a considerar e a levar a sério (mas não tanto) a sua materialidade e o seu potencial para o desenvolvimento de um projeto emancipatório dos limites de inteligibilidade social.

Idiomas que xs organizadorxs do grupo falam/entendem:

Soledad Falabella: castelhano (idioma materno), português (parte oral e escrita regulares; leitura excelente), inglês, francês e holandês fluentes (parte oral, escrita e leitura), alemão (parte oral e escrita regulares; leitura excelente).

Naty Menstrual: castelhano (idioma materno).

Ana Laura López: castelhano (idioma materno), inglês (parte oral, escrita e leitura regulares).

Constanza Muñoz: castelhano (idioma materno), português, inglês, alemão (parte oral, escrita e leitura regulares).

Coordenadorxs:

Soledad Falabella tem um Ph.D. em Línguas e Literaturas Hispânicas da University of California, Berkeley. É professora de Teoria Crítica Feminista, Performance e Poesia no programa de mestrado em Gênero e Cultura da Universidad de Chile e pesquisadora no projeto “Women Mobilizing Memory” do Center for the Study of Social Difference da Columbia University. É diretora acadêmica do Programa de Redação Acadêmica Avançada para bolsistas do Consórcio para Pesquisa e Capacitação Avançada na África, membra do comitê editorial da revista do Instituto Hemisférico de Performance e Política (HEMI) e diretora de ESE:O. É autora de ¿Qué será de Chile en el cielo? Poema de Chile de Gabriela Mistral (LOM Santiago, Chile 2003) e editora das antologias poéticas de mulheres mapuche.

Naty Menstrual é escritora, atriz, performer, deformadora, designer e artista visual. Estudou locução no Instituto Superior de Ensino Radiofônico de Buenos Aires, design de vestuário industrial com Marcela Roldán e design experimental com Dante Taparelli. Em 2011, participou do filme Mía, de Javier Van de Couter, e em 2015 foi protagonista do filme Huesitos de pollo, de Juan Manuel Ribelli. É autora de Batido de Trolo (Ed. Milena Caserola, Buenos Aires, 2005), Continuadísimo (Eterna Cadencia Editorial, Buenos Aires, 2008) e Poesía recuperada (Zindo y Gafuri, Buenos Aires, 2017). Protagoniza Naty menstrual show cabaret.

Ana Laura López é formada em Ciências da Comunicação pela Universidad de Buenos Aires, atriz, diretora teatral e escritora. Foi premiada dois anos consecutivos pela Universidad de Morón por sua produção poética e recebeu uma distinção de Argentores y Metrovías pelo seu monólogo Las manos de Perón, publicado pela Editorial Cadán, e outra por seu romance LA MANADA, concedida pela Biblioteca Nacional e pela Televisión Pública no contexto do concurso de narrativas Eugenio Cambaceres.

Constanza Muñoz é atriz e tem um mestrado em Estudos de Gênero e Cultura pela Universidad de Chile, onde atualmente é professora assistente do seminário Retóricas Feministas. Desde 2009, integra o coletivo artístico La Junta, que tem tido como eixo central a reflexão em torno das causas, limites e consequências da violência sistêmica do neoliberalismo no Chile e na América Latina. É também pesquisadora teatral, além de coordenadora e coautora de El género en escena: relaciones en la práctica laboral de teatro en Chile (Osoliebre, Santiago 2017), o primeiro estudo no Chile a explorar a reprodução de inequidades e estereótipos de gênero no teatro e seus efeitos materiais e simbólicos na dimensão trabalhista. Está trabalhando atualmente na redação de sua segunda publicação sobre o uso do humor como dispositivo retórico e tática estético-política nas performances de mulheres ativistas de direitos humanos durante a ditadura cívico-militar no Chile.

Participantes:

  • Andrea Vertone
  • Andres Carreño
  • Fernando Rodriguez
  • Karla Silva Ribeiro
  • Letícia Barbosa
  • Lin Alves Arruda
  • María José Rodríguez Ávila
  • Melina Gaze
  • Melissa M. González
  • Rae Langes
  • Ricardo Marinelli Martins
  • Roxana Gómez Tapia
  • Solana Chehtman
FaLang translation system by Faboba