08 O humor como desestabilizador do poder: resistências jocosas na performance feminista

Descrição:

"Eu sugeriria uma campanha: não atacar os costumes com a espada flamejante da indignação nem com o tremor lamentável do pranto, mas evidenciar o que têm de ridículos, de obsoletos, de cafonas e de imbecis. Lhes asseguro que temos um material inesgotável para o riso. E precisamos tanto rir, porque o riso é a forma mais imediata de liberação do que nos oprime, do distanciamento daquilo que nos aprisiona!”

—Rosario Castellanos

Pode-se pensar no humor e no riso como afetos/afetações capazes de detonar ação e/ou transformação. O potencial do humor como arma de resistência é uma prática que a performance feminista conhece bem, assim como muitas produções culturais feministas em geral. Muitas têm adotado como ferramentas críticas a ironia e a paródia, desde a citada Rosario Castellanos até Jesusa Rodríguez, somente para nomear duas. Diante de tanta desigualdade, injustiça e violência contra nós, o humor nos cura, para não morrermos de desgoto, e nos provoca com uma resistência jocosa que enfrenta o poder patriarcal e lhe diz: “Te desobedeço criativamente”.

Através do humor feminista, pode-se reconceber e ressignificar experiências que são fatos sociais construídos em contextos específicos, segundo parâmetros de gênero, classe, raça, idade ou outras diferenças cruciais que fazem alusão a sistemas simbólicos com os quais cada cultura imagina a sua existência. O humor é sempre situado. O uso de estratégias humorísticas na performance mostra deslocamentos epistêmicos específicos, característicos do nosso tempo. Refletiremos juntxs sobre os usos do humor em nossas produções culturais feministas em geral e, mais especificamente, na performance, perguntando-nos: De que maneiras podemos construir o humor feminista? Como podemos encorporar o riso insolente feminista?

Formato ou estrutura:

O trabalho do grupo será estruturado a partir das apresentações de cada participante, para vermos as linhas de comunicação de cada proposta e podermos criar em conjunto uma ação para a plenária final, através dos formatos propostos nas sessões do grupo.

Faremos uma rápida revisão de arquivos, bem como dos próprios repertórios; pensaremos – como coletividade emergente, efêmera, situada num contexto muito específico e de acordo com os nossos presentes – experiências e objetivos políticos dos quais queremos rir; e buscaremos em nossos repertórios as estratégias humorísticas necessárias para poder comunicar tudo isto através do corpo.

Idiomas que xs organizadorxs do grupo falam/entendem:

Espanhol, inglês, português e um pouco de francês.

Coordenadorxs:

Julia Antivilo Peña é historiadora e artivista performática feminista de Huasco, Chile. Escreveu os livros Belén de Sárraga. Precursora del feminismo Hispanoamericano com Luis Vitale (2000) e Entre lo sagrado y lo profano se tejen rebeldías. Arte feminista Latinoamericano (2015), dentre outros. Escreveu também vários artigos em revistas sobre estudos culturais, o papel social e cultural das mulheres e referentes à arte, gênero e feminismos. Tem doutorado em Estudos Culturais Latino-americanos pela Universidad de Chile e concluiu recentemente uma pesquisa de pós-doutorado sobre o artivismo e a dissidência sexual na América Latina (UAM). Como performer, fez parte de vários coletivos artivistas feministas no Chile e no México. Já se apresentou em vários eventos acadêmicos e artísticos em países como Chile, Argentina, Bolívia, Colômbia, Uruguai, Costa Rica, Estados Unidos e Canadá. Reside no México e colabora com os grupos de arte (e seus arquivos): La Pocha Nostra, Pinto mi Raya e Producciones y Milagros Agrupación Feminista A.C.

Alejandra Gorráez Puga é feminista, pesquisadora e performer de Puebla, México. Atualmente participa do programa de doutorado do curso de pós-graduação em História da Arte da UNAM, onde desenvolve a pesquisa O humor e o riso como ferramentas: mulheres performers no México, que é um exercício de intervenção na história da arte contemporânea mexicana a partir dos feminismos e dos gestos anti/descoloniais. Acredita profundamente no poder das metáforas e o seu trabalho, tanto analítico quanto criativo, enfoca a compreensão, assimilação, transmissão e encorporação das mesmas, bem como a apropriação de metodologias performáticas para a intervenção multidimensional dos presentes, nos quais existimos como parte de práticas culturais feministas, coletivas, de resistência e de ativismo espiritual.

Participantes:

  • Adriana Orjuela
  • Alexandra Martins
  • Aurora Valverde
  • Carolina Van Eps
  • Claudia Medina
  • Dalia Yanina Orellana
  • Elena Igartuburu
  • Em Piro
  • Fabiana Faleiros
  • Fabiola Torralba
  • Juliana Mafra
  • Meryl Murman
  • Nae Hanashiro Avila
  • Olga da Costa Lima Wanderley
  • Teodora Elvira Lara Lecuona
  • Siri Gurudev