09 Às avessas: jogo, performance e prática-como-pesquisa

Descrição:

Há algum tempo, a pesquisa baseada na prática como princípio político e epistemológico tem questionado as formações hegemônicas do conhecimento, desfocando espaços e temporalidades da experiência cognitiva e criação de significado e virando do avesso as noções tradicionais de percepção, ação e encorporação (embodiment). Este grupo de trabalho convida artistas, pesquisadorxs e ativistas cujo trabalho utilize a performance para mobilizar e/ou teorizar o poder afetivo, a produção de conhecimento e a política coletiva, ampliando assim a compreensão atual e os enfoques da prática-como-pesquisa. Pondo em discussão as teorias do afeto, do jogo e da política, nosso objetivo é explorar a pesquisa criativa que envolve processos performáticos e processos midiáticos de controle hegemônico, subversão estratégica e formação espontânea. As perguntas que enquadrarão as nossas discussões são: Como se pode usar a performance como método para rastrear estratégias de (des)saturação, desorientação, recalibragem sensorial, (des)subjetivação e excesso coletivo? Como pode a composição de pesquisa realizar epistemologias afetivas de pensamento/sentimento, bem como abordar situações e multiplicidades ao invés de indivíduos? Como podem as representações lúdicas do nosso presente político combater o "esgotamento da compaixão", “wokeness” e o liberalismo trivial para dar espaço à solidaridade profunda e à transformação sistêmica? Como podem o humor e o jogo oferecer, não somente táticas, mas também estruturas de emancipação?

Formato ou estrutura:

Convidamos análises artísticas, etnográficas e teóricas de eventos ou práticas que utilizem a performance como um método para compreender e/ou responder à política afetiva.

Os possíveis temas incluem:

  • Iterações hemisféricas de prática-como-pesquisa
  • Tecnologias de jogos e mídia: mimetismo, competição, possibilidade e vertigo
  • Afeto e carne: mediações políticas
  • “Machinic Saturation” (saturação maquínica): retweets, compartihamento excessivo e teleaudiência descomedida
  • Capitalismo agnotológico: ignorância e o pós-fatual
  • Mobilizações em rede e insurgências de memes
  • Performances “bots and trolling” como “playing with” (jogar com)
  • Descolonização sensorial, desvinculação, fugitividade
  • Formações de enxames e individualidade distributiva
  • Des-identificação 2.0
  • Respostas anárquicas ao neoliberalismo
  • Quietude, lentidão e retirada
  • Delinquência estética e prazeres não capturados

Nossas sessões serão estruturadas em torno dos componentes principais: discussões de ensaios críticos que xs participantes terão lido com antecedêcia e apresentações dos trabalhos dxs participantes (ensaios acadêmicos, atuações ou práticas de meios táticos). Xs coordenadorxs encorajam xs participantes selecionadxs a explorar diversos modos de apresentação do seu trabalho durante as reuniões. Antes do Encuentro, pediremos que xs participantes enviem as descrições finais do projeto e os trabalhos/roteiros/textos experimentais. Xs coordenadorxs indicarão umx participante como respondente para cada texto e pedirão que cada respondente redija um texto de resposta de 5 minutos, avaliando como o projeto relaciona-se com as perguntas do grupo de trabalho e qual a sua contribuição.

Idiomas que xs organizadorxs do grupo falam/entendem:

Português, espanhol, inglês

Coordenadorxs:

Pablo Assumpção Barros Costa é professor do programa de pós-graduação em Artes e do curso de bacharelado em Dança da Universidade Federal do Ceará (Fortaleza, Brasil). Seus temas de pesquisa incluem as práticas de etnografia experimental, teorias de encorporação (enbodiment), arte performática e espaço urbano e a teoria queer. Barros Costa é o diretor editorial de Vazantes (revista especializada nas artes no Brasil) e foi “Global Visiting Scholar” (Professor Visitante Internacional) no Centro de Estudos de Gênero e Sexualidade da New York University em 2017.

Sebastián Calderón Bentín é professor no Departamento de Drama da New York University. Sua pesquisa enfoca a teoria da arte performática, os meios de comunicação e os estudos culturais na América Latina. Seus textos já foram publicados em revistas como Theatre Survey, TDR, Identities e Istmo, bem como em antologias de livros como Neoliberalism y Global Theatres (Palgrave Macmillan, 2012) e Support Networks (University of Chicago Press, 2015). Como artista teatral, já colaborou com “Witness Relocation”, Anna Deavere Smith, John Jesurun, Ann Carlson, Faye Driscoll, o Institute of Failure de Tim Etchells e Matthew Goulish e o International Contemporary Ensemble. Frequentemente atua com a companhia de teatro Every House Has a Door, com sede em Chicago, e é membro fundador da colaboração teatral Donovan & Calderón.

Marcela A. Fuentes é professora do Departamento de Estudos da Performance da Northwestern University. O seu trabalho enfoca a arte performática e as redes digitais como ferramentas táticas nos movimentos de insurreição contemporâneos. Através do conceito de "performance constellations" (constelações de performance), examina como as práticas de “hacktivismo”, protestos nas redes sociais, memes, narração digital, “flash mobs” e outras performances tecno-políticas redefinem as noções de vitalidade, especificidade de local e encorporação como aspectos cruciais da mobilização transnacional. Atualmente, Fuentes é membra do Conselho Editorial da HemiPress, uma iniciativa de publicação digital do Instituto Hemisférico de Performance e Política. É membra também do coletivo feminista "Ni Una Menos" e consultora externa da Bienal de Performance em Buenos Aires, Argentina.

Christine Greiner é professora no Departamento de Linguagens Corporais, programa de pós-graduação em Comunicação e Semiótica e programa de bacharelado em Comunicação e Artes Corporais na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil. É autora de vários livros e artigos sobre dança e performance contemporâneas, cultura japonesa e filosofia corporal, dentre eles: Readings of the Body in Japan and Cognitive Diasporas (2015) e Fabulations of the Japanese Body and Microactivisms (2017), ambos publicados por n-1 Publications (São Paulo, Brasil).

Participantes:

  • Adam J` Scarborough
  • Alma Martinez
  • Andre Carreira
  • Carminda Mendes André
  • Celia Vara
  • Elia Arce
  • Enzo Vasquez Toral
  • Evan Pensis
  • Hannah Schwadron
  • Isil Egrikavuk
  • Jean-François Côté
  • Jeff McMahon
  • Karen Schupp
  • Lo Bil
  • Lua Girino
  • Marlon Jimenez Oviedo
  • Melissa M. Wilcox
  • Zena Bibler
  • Marco Vidal
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