11 Marxismo menor: materialismos queer para um mundo às avessas

Descrição:

Este grupo de trabalho examina o trabalho, uso e limites do marxismo para um mundo às avessas. À medida em que aumenta o autoritarismo e o nacionalismo de direita e, consequentemente, a contínua (des)ordem capitalista do mundo contemporâneo, que estruturas e práticas políticas temos para fraturar, para denunciar o poder e para transformar o panorama político? Ao invés de celebrar o marxismo e a luta de classes como respostas às ordens mundiais neoliberais, este grupo de trabalho tem como objetivo apontar os compromissos de marxistas queer, analizando o trabalho em que os sujeitos minoritários colocam os ideais socialistas e marxistas no passado, presente e futuro. Como, se questionam, podem as práticas de comunidades deficientes, racializadas, queer, indígenas, trans e feministas ser ocluídas (ou excluídas) pelo universalismo marxista, apesar de modificar seus próprios princípios? O que caracterizaria a redistribuição quando contende não somente com um foco nos meios de produção, mas também nas forças materiais da indigeneidade, nas divisões do terceiro/primeiro mundo e no liberalismo racial? Como a sexualidade auxilia a produção capitalista e como se forma o materialismo histórico sob os desejos, as condutas, os prazeres e sua reprodução? Ao invés de prescrever respostas a tais perguntas, recorremos a práticas estéticas, ativistas e teóricas que nos ajudam a lidar com estes anseios de construir um mundo por vir através da elaboração, da prática e da proliferação de marxismos menores.

Formato ou estrutura:

O objetivo principal deste grupo de trabalho é criar uma rede de acadêmicxs que trabalhem na interseção dos estudos da performance com a teoria marxista. Ao invés de consolidar a convenção da sessão em uma ou duas mãos, xs organizadorxs estabeleceram um comitê central que fará o trabalho de cultivar um conjunto diverso de leituras circuladas com antecedência sobre o marxismo, com a seguinte ênfase secundária: desde os textos clássicos e negligenciados (ou queer) na tradição marxista às vanguardas contemporâneas da prática marxista. Um mês antes da conferência, xs participantes apresentarão ao comitê central uma proposta de uma (1) página com espaço duplo de trabalho acadêmico, artístico ou outras formas de contribuição ao grupo de trabalho, com base nas leituras. A partir destas apresentações, xs organizadorxs dividirão xs participantes em subgrupos reunidos por interesse. Cada dia haverá uma série de atividades: uma discussão grupal coletiva sobre as leituras atribuídas naquele dia, seguida de uma subdivisão em grupos menores para uma discussão mais detalhada. A segunda metade de cada dia será dedicada a um dos subgrupos, que apresentarão (individual ou coletivamente) suas propostas de trabalho acadêmico ou projetos artísticos ao grupo completo, seguido de uma síntese e crítica grupal.

Idiomas que xs organizadorxs do grupo falam/entendem:

Inglês, espanhol, francês, chinês, coreano e alemão.

Coordenadorxs:

Joshua Chambers-Letson é professor adjunto do programa de  Estudos da Performance da Northwestern University, onde conduziu sua pesquisa nas áreas de teoria da performance, teoria crítica e teoria crítica queer racial. Dentre suas publicações, destacam-se After the Party: Performance and Queer of Color Life (NYU Press, 2018) e A Race So Different: Law and Performance in Asian America (NYU Press, 2013, ganhador do prêmio ATHE de 2014 – “Outstanding Book Award”). Colaborou com Ann Pellegrini e Tavia Nyong na coedição da série Sexual Cultures da NYU Press.

Kelly Chung será bolsista de pós-doutorado no Departamento de Estudos Asiático-Americanos e de Estudos da Mulher, do Gênero e da Sexualidade no Dartmouth College. Este verão, defendeu a sua dissertação no Departamento de Estudos da Performance da Northwestern University. Sua pesquisa examina a performance da inação (lentidão, imobilidade e negação) de mulheres feministas negras e de cor na arte visual e performática contemporânea sobre o trabalho. Foi chefe de redação do Journal of Critical Ethnic Studies.

Malik Gaines é professor adjunto do programa de Estudos da Performance da Tisch School of the Arts, na New York University. O seu livro Black Performance on the Outskirts of the Left (NYU Press, 2017), rastreia a difusão de ideias políticas na arte performática da década de 60 em diante. Os seus ensaios já figuraram no “Art Journal, Women & Performance”, “e-flux” e muitas outras publicações sobre a arte e catálogos de exposições de arte. Desde 2000, tem atuado e participado de exposições com o grupo My Barbarian, cujo trabalho já foi incluído na Bienal do Whitney Museum, em duas Bienais Performa, na Bienal de Montreal e na Trienal de Báltica, dentre outros.

Xandra Ibarra, originária da área fronteiriça de El Paso/Ciudad Juárez e atualmente domiciliada em Oakland, Califórnia, é uma artista performática que trabalha sob a alcunha de La Chica Boom. O trabalho de Ibarra já foi exibido no Museo de Arte Contemporáneo de Bogotá, Colômbia; no Museo Broad (Los Angeles, CA); na Popa Gallery (Buenos Aires, Argentina); no Joe’s Pub (Nova Iorque, NY); na PPOW Gallery (Nova Iorque, NY); e no Yerba Buena Center for the Arts (San Francisco, CA), dentre outros lugares. Ibarra já foi premiada com a bolsa de estudos Art Matters; o NALAC Fund for the Arts; o ReGen Artist Fund e o prêmio da Franklin Furnace na categoria de Performance e Mídia Variável. Ela está atualmente trabalhando como curadora de uma série de arte performática de um ano de duração no The Broad Museum com Nao. Como organizadora comunitária, Ibarra concentra-se nos movimentos abolicionistas de prisão, pelos direitos dos imigrantes e contra o estupro. Desde 2003, tem participado ativamente da organização INCITE!, uma organização nacional feminista de cor.

Hentyle Yapp é professor adjunto do Departamento de Arte e Política Pública da New York University. Yapp é docente afiliado do Disability Council (Conselho de Incapacidade), do Asian/Pacific/American Institute e do Departamento de Estudos da Performance da New York University. Os seus artigos já figuraram, e alguns aparecerão em breve, nas seguintes publicações: “GLQ”, “American Quarterly”, “Journal of Visual Culture” e “Verge: Studies in Global Asias”. Além disso, o professor Yapp é membro do coletivo Social Text. Recebeu o seu título de bachalerado da Brown University; de Juris Doctor da Faculdade de Direito da UCLA (Califórnia), com especialização em teoria crítica racial e direito pelo interesse público; e doutorado em Estudos da Performance pela UC Berkeley.

Participantes:

  • Alex Pittman
  • Ever Esther Osorio Ruiz
  • Kari Barclay
  • Kavita Kulkarni
  • Liliana Gonzalez
  • Maria Alejandra Rojas
  • Matt Jones
  • Matthew-Robin Nye
  • Nicole Fadellin
  • Roshanak Kheshti
  • Sara Mameni
  • Stephano Espiniza
  • Sue Ellen Case
  • Tavia Nyong'o
  • Wendy Lotterman
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