17 Metafesta: “A Festa” que fala (e ri) de si mesma

Descrição:

Desde 2007, o grupo “Jogo, Festa e Poder” tem participado dos Encuentros com grupos de trabalho e outras iniciativas. Para o próximo Encuentro, dedicado ao mundo às avessas, este grupo de trabalho enfocará a “Metafesta”, uma forma de articular a experiência festiva com a reflexão irônico-teórica. O tema central do nosso grupo de trabalho surgiu após a adoção de algumas ideias inspiradoras do antropólogo cultural Victor Turner (From Ritual to Theatre, 1982), do professor de Estudos da Performance e diretor teatral Richard Schechner (The Future of Ritual, Ritual and Performance, 1993), do antropólogo Manuel Delgado (Fiesta y Motín, Fiesta y espacio público, 2004), de Esherick e Wasserstrom (Acting out Democracy, 1990), das obras do Mapa Teatro (Los Santos Inocentes, 2011 e Los Incontados, 2015), das performances da companhia El Teatro de los Sentidos (El Hilo de Ariadna, 1990; La memoria del vino, 2015), do The Performance Group (1967), da obra de Hans Thies Lehmann “Teatro Post-dramático” e dos “happenings” de Allan Kaprow – que integravam os elementos do ambiente, seções construídas, tempo, espaço e gente num objeto de arte total. As práticas destes autores nos levaram a descobrir que o que realmente interessa não são apenas as intenções explícitas dos atores e agentes que participam de certos contextos festivos institucionais-políticos-econômicos, mas também as realidades que eles criam – como coágulos sociais ou massas moleculares – com suas ações, participando e intervindo no curso dos eventos que ocorrem no espaço público, e como estas ações sociais estão relacionadas à estética.

A festa é, com os seus “happenings” e o seu teatro, com os seus gestos e objetos simbólicos, a sua cenografia e os seus acidentes na paisagem, uma gramática que permite enunciar uma representação de teatro direto e um projeto auto-reflexivo, uma política de êxtase, onde a reapropriação de um território, a criação de uma identidade coletiva e a ilusão de uma comum-nidade fundem-se num cenário ritual que permite que grupos ou indivíduos afirmem quem são, quem querem ser e inclusive que anulem as suas identidades.

Formato ou estrutura:

Esta proposta de grupo de trabalho é tanto uma oficina quanto uma “masterclass”. Queremos questionar e contribuir com os “happenings” festivos que seguramente terão lugar durante e ao redor do Encuentro do Instituto Hemisférico na Cidade do México. Faremos isso através de uma exploração e representação de cenas-performances-intervalos-entre atos escritos por nós e em colaboração com os participantes do grupo de trabalho. Esperamos assim produzir uma obra de arte-ação incrustada na performance festiva, cultural e na paisagem do Encuentro. Uma obra de teatro criada colaborativamente durante os encontros matutinos do grupo de trabalho, para mais tarde ser representados durante os eventos festivos do Encuentro e finalmente discutidos uma vez que tenham terminado, idealmente durante uma “ressaca coletiva” ao longo da manhã seguinte. A nossa proposta fala por si só, tendo sentido e significado ao tempo em que ocorre. É um evento em que a audiência não somente é convidada a participar: conta-se com a sua participação; um evento de “suprema autenticidade”, onde as pessoas estão envolvidas com o seu ambiente e com as cenografias rituais, onde as percepções são estendidas aos seus limites. A “Metafesta” foi criada para ser um teatro de risco, espontaneidade, exposição e intensidade, onde a performance pode transformar a si mesma e a paisagem também, podendo levar a percepções sem precedentes; inclusive gerar novos símbolos e significados que podem vir a ser incorporados a performances subsequentes.

Idiomas que xs organizadorxs do grupo falam/entendem:

Espanhol, inglês, italiano, alemão e francês.

Coordenadorxs:

Alex de las Heras é um artista conceitual e curador de arte contemporânea e performances, atualmente cursando um programa de doutorado em Ciências Sociais e Humanas pela Universidad Nacional de Colombia, onde tem trabalhado em sua tese de dissertação entitulada: “Metafiesta”—um dispositivo para a construção de cenários festivos orientados para o futuro. Heras apaixonou-se pelas Ciências Sociais, pelo ritual e pelos “happenings” festivos na Universidade de Arte e Design Industrial de Linz, Áustria, onde obteve dois mestrados: um em Design Experimental e outro em Teoria da Arte e Cultura Midiática. Sua prática está ligada a uma militância no jogo e no humor, no popular e no banal.

Paolo Vignolo é professor adjunto de história e humanidades da Universidad Nacional de Colombia. O seu trabalho criativo e de pesquisa enfoca o uso público da história, a memória histórica e o patrimônio cultural, com ênfase nas artes vivas, no jogo e na performance. Obteve o seu doutorado pela E.H.E.S.S. de Paris e foi selecionado como o Professor Visitante Santo Domingo do ano letivo de 2012-13 do David Rockefeller Center of Latin American Studies (DRCLAS) da Harvard University.

Camila Aschner-Restrepo é professora de Estudos Culturais na Universidad de los Andes em Bogotá. Seus principais campos de pesquisa e criação são a performance e a memoria, e as utopias e distopias em diversos médios. Ela tem um doutorado em Estudos Interdisciplinares em Humanidades e Ciências Sociais da Emory University em Atlanta, e um certificado em pesquisa e criação a escola a.pass, em Bruxelas.

Participantes:

  • Andres Jurado
  • Angela Marciales
  • Chris Ignacio
  • Darling Lucas
  • Futoshi Moromizato
  • Jessamyn Lovell
  • Joshua Truett
  • Karim Raziel Gutiérrez Torres
  • Luis Conde
  • Márcia Chiamulera
  • Rachel Bowditch
  • Richard Aviles
  • Tatiana Maria Damasceno
  • Vanessa Ogbuehi
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