FOMMA Biografia Extensa

Fortaleza de la Mujer Maya
Petrona de la Cruz Cruz e Isabel Juárez Espinosa

 Em 1994, as atrizes maias Petrona de la Cruz Cruz (de Zinacantán, Chiapas) e Isabel Juárez Espinosa (de Aguacatenango, Chiapas) fundaram o FOMMA, para apoiar mulheres e crianças maias. Utilizando as ferramentas do teatro e do teatro de marionetes, elas abriram um espaço onde as mulheres empoderam a sua cultura e a si mesmas, à medida em que representam as experiências, muitas vezes traumáticas, vividas por elas e imaginam realidades alternativas. A casa do FOMMA, em San Cristóbal de las Casas, abriga diversas oficinas e um novo espaço de teatro. Isabel e Petrona explicam que o coletivo tem procurado suprir as necessidades de mulheres que deixaram as suas aldeias nas regiões elevadas em busca de trabalho, combinando oficinas de alfabetização em espanhol e nos idiomas maias tzotzil e tzeltal com treinamentos para o desenvolvimento de habilidades como a confecção de pães e a costura, e oferecendo também creche para as crianças, para que as mulheres possam frequentar as aulas.

Petrona e Isabel aprenderam a ler e escrever quando eram jovens imigrantes para San Cristóbal de las Casas. As suas formações são incomuns para mulheres indígenas, porque elas chegaram a concluir os primeiros anos do ensino médio. Tanto Isabel quanto Petrona foram rejeitadas por suas comunidades — Isabel, por ter tido um filho fora do matrimônio e Petrona, por ter sido vítima de um estupro e ter decidido criar o filho nascido dessa violação. Ambas se sustentaram como empregadas domésticas. Ambas praticaram o teatro pela primeira vez com a cooperativa cultural maia Sna Jtz’ibajom, em um ambiente social que desencorajava as mulheres a falar publicamente sobre as suas experiências. Ali, as duas mulheres começaram a explorar o teatro comunitário como um meio de abordar problemas como a  violência doméstica, o estupro, o abuso do álcool, a migração e a pobreza, no que diz respeito à vida das mulheres.

A primeira peça de Petrona de la Cruz Cruz, Una mujer desesperada (1991), enfoca a violência aparentemente infinita sofrida pelas mulheres maias, e também a impossibilidade efetiva de recurso. Ela foi a primeira pessoa indígena a ganhar o cobiçado Prêmio Rosario Castellanos de literatura, em 1992. Isabel Juárez Espinosa é a autora de Cuentos y Teatro Tzeltales, A ’yejetik sok Ta ’imal (1994) e de diversas peças.

As peças de Petrona e de Isabel já foram apresentadas em diversos países e elas continuam escrevendo e desenvolvendo novos meios de encorajar o desenvolvimento econômico e cultural. Em 1999, o FOMMA recebeu um prêmio nacional conferido pelo IMIFAP (Instituto Mexicano de Investigación de Familia y Población) e patrocinado pela Summit Foundation pelo seu trabalho na rádio, no teatro e na educação no México.