Perfis de artistas

Esta peça, criada durante o movimento Diretas Já, que pleiteou eleições diretas no Brasil, é uma parábola do momento político que o país estava enfrentando. Ela conta a estória de um casal de velhinhos que tinha vivido na mesma casa durante os últimos vinte anos e de como a casa foi-se deteriorando dia após dia. O casal encorpora a classe média conservadora que apoiou o golpe militar de 1964, mas que, duas décadas depois, perdeu os seus privilégios e foi às ruas para lutar por Diretas Já. Entrelaçada com estórias paralelas – um casal que está sendo despejado, uma cena de tortura e o julgamento de um policial – a audiência vê a casa literalmente cair aos pedaços diante deles. Na cena final, quando o candidato à presidência chega, uma mão gigante aparece para lhe entregar a faixa presidencial e o prédio desmorona com estilhaços, vazamentos e poeira.

O amargo santo da purificação conta a estória do revolucionário marxista brasileiro Carlos Marighella, uma figura central na luta contra ambas as ditaduras enfrentadas pelo país no século XX – o Estado Novo de Getúlio Vargas nos anos 30 e 40 e a ditadura militar, instaurada em 1964. Esta visão alegórica e barroca da sua vida, paixão e morte revive um herói popular que os setores dominantes tentaram apagar da história nacional por décadas. Começando a partir das suas origens na Bahia, esta produção de rua apresenta a sua juventude, a sua poesia, a resistência ao Estado Novo, a sua prisão, a nova Constituição, a proscrição do Partido Comunista, o conflito armado contra a ditadura militar e a emboscada que terminou com a sua morte em 1969. O texto é escrito coletivamente, com base nos poemas de Marighella, transformados em canções. Através de máscaras, elementos visuais da cultura afro-brasileira, e de uma estética baseada nos filmes de Glauber Rocha, Ói Nóis traz para as ruas da cidade uma abordagem épica das aspirações de liberdade e justiça do povo brasileiro.

quinta-feira, 05 agosto 2010 15:53

Sessão de Anistia a Zé Celso (2010)

Em 1974, José Celso Martinez Corrêa foi preso pela ditadura militar e levado para o DOPS – o Departamento de Ordem Política e Social –, onde ele foi brutalmente torturado e posto na cadeia. Trinta anos depois, o diretor teatral deu entrada em um pedido de perdão oficial e de compensação perante a Comissão de Anistia. Esta comissão tinha sido criada pela Lei no 10.559 de 2002, que complementou a infame Lei no 6.683 de 1979, que concedeu anistia geral para todos que haviam cometido crimes políticos sob o regime ditatorial, tanto como parte do exército quanto da resistência.

Em 2010, a Comissão de Anistia realizou a sua 35a sessão pública no Teatro Oficina, para realizar a leitura e a votação do pedido de Zé Celso. À teatricalidade oficial da lei, combinou-se O Banquete, uma peça do grupo, e a audiência foi recebida com uma canção servo-croata, seguida da lavação dos seus pés por um dos membros do elenco, caracterizado. O relator para o caso foi o advogado e ator Prudente José Silveira Mello, que fez a leitura do relatório vestindo um terno e de pés descalços, no cenário da peça.


Materiais Relacionados:

"The end of all tortures in Brazil," open letter by Zé Celso (POR)
"Political amnesty for Zé Celso," blog post announcing the event (POR)
"Amnesty for Zé Celso," article in the Estado de São Paulo 04/07/2010 (POR)
"How the Amnesty Session for Zé Celso went," blog post (POR)


Zé Celso's speech in the Amnesty Session 1/4, youtube video (POR)
Zé Celso's speech in the Amnesty Session 2/4, youtube video (POR)
Zé Celso's speech in the Amnesty Session 3/4, youtube video (POR)
Zé Celso's speech in the Amnesty Session 4/4, youtube video (POR)
Amnesty Commission Council votes, youtube video (POR)