quarta-feira, 15 setembro 2010 20:20

Deus ajuda os bão (1991)

Baseada no texto de Arnaldo Jabor, Deus ajuda os bão dá continuação às aventuras de Zé da Silva, o protagonista de A história do homem que lutou sem conhecer seu grande inimigo, que simboliza o povo brasileiro. Neste conto político, Zé da Silva, desempregado e vivendo na favela, encontra-se impedido de construir uma porta para proteger o seu barraco. Este problema dá início a uma jornada, na qual ele vai de porta em porta, escalando os degraus hierárquicos da sociedade brasileira — os especuladores, os intelectuais, o governo, o proprietários de terra — acabando por chegar nos E.U.A., em busca de uma solução para o seu problema. A viagem de Zé da Silva ilustra os mecanismos de poder em um país dependente como o Brasil, onde a questão da reforma agrária tem um papel crucial. Ele retorna à favela com a consciência de que, junto a todas as pessoas exploradas, ele precisa lutar pelos seus direitos. Deus ajuda os bão é uma obra concebida como uma farsa e é recheada de ironia, acentuando o drama econômico e político em que a maioria da população brasileira vive.

terça-feira, 03 agosto 2010 12:43

O Rei da Vela (1967)

A obra O Rei da Vela foi escrita por Oswald de Andrade em 1933, mas a sua estreia ocorreu somente em 1967, nesta produção do Teatro Oficina. Encenada durante a revolução cultural do final dos anos 60 e no limiar do AI-5 de1968 – o período mais violento da ditadura brasileira –, ela tornou-se um símbolo para o movimento da contracultura. A casa de teatro do Oficina tinha sido destruído por um incêndio em 1966 e, buscando uma peça que pudesse simbolizar uma nova fase, a companhia decidiu que essa obra de vanguarda do dramaturgo brasileiro lhes oferecia os elementos necessários para refletir a crise do seu momento cultural e histórico. Uma fábula sobre um fabricante de velas e credor, sob a pressão de empréstimos para o imperialismo norte-americano, a obra retrata a condição de subdesenvolvimento do país, alvo de uma mentalidade autoritária, construída com base em superficialidades. Com elementos visuais fortes e agressivos de Hélio Eichbauer e uma canção de Caetano Veloso, esta produção tornou-se uma referência para diversos artistas que formaram o Movimento Tropicália, influenciando a música, o cinema, as artes plásticas e a literatura.


Materiais Adicionais

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